O setor de serviços encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento de 2% em relação aos seis primeiros meses do ano passado, apesar da estabilidade registrada em junho. Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quarta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na passagem de maio para junho, o volume de serviços ficou praticamente estável, com leve retração de 0,2% na série com ajuste sazonal. Já na comparação com junho de 2025, houve crescimento de 2%, mantendo uma sequência de 27 resultados positivos nessa base de comparação.
O resultado mostra que, mesmo diante de uma desaceleração no ritmo mensal, o setor continua sustentando parte importante da atividade econômica brasileira.
Informação e comunicação foi destaque
Entre as cinco grandes atividades pesquisadas pelo IBGE, apenas informação e comunicação apresentou crescimento na passagem de maio para junho, com alta de 1,8%.
Os demais segmentos tiveram retração:
- Serviços prestados às famílias;
- Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio;
- Serviços profissionais, administrativos e complementares;
- Outros serviços.
Na comparação com junho do ano passado, entretanto, três das cinco atividades registraram crescimento. O avanço também foi disseminado entre os diferentes tipos de serviços acompanhados pela pesquisa.
Setor ainda está perto do maior nível da série
Mesmo com a estabilidade de junho, o volume de serviços permaneceu em patamar elevado.
Segundo o IBGE, o setor estava 19,9% acima do nível registrado em fevereiro de 2020, período utilizado como referência anterior à pandemia de Covid-19.
Apesar disso, o resultado ainda ficou 0,3% abaixo do recorde histórico registrado em outubro de 2025.
O desempenho indica que o setor continua próximo do seu maior nível histórico, embora tenha apresentado sinais de perda de ritmo ao longo do primeiro semestre.
Resultado acumulado mostra crescimento
Entre janeiro e junho, o setor acumulou alta de 2% frente ao mesmo período de 2025.
No segundo trimestre, o volume de serviços apresentou crescimento de 0,4% em relação aos três primeiros meses do ano. No acumulado de 12 meses, a expansão chegou a 2,6%.
Os números reforçam a importância dos serviços para a economia brasileira, que reúne atividades como transporte, alimentação, hospedagem, tecnologia, comunicação, serviços empresariais e outras áreas.
A PMS acompanha empresas formalmente constituídas que têm os serviços não financeiros como atividade principal, com exceção de segmentos como saúde e educação.
Alagoas vinha entre os destaques nacionais
O cenário nacional ganha uma dimensão especial para Alagoas porque o Estado apresentou um desempenho bastante positivo nos dados imediatamente anteriores.
Em maio, enquanto o volume de serviços brasileiro recuou 0,4% em relação a abril, Alagoas registrou crescimento de 3,6%, ficando entre os estados que avançaram no período.
Na comparação com maio de 2025, o desempenho alagoano foi ainda mais expressivo: alta de 24,5%.
O resultado de maio colocou Alagoas em posição de destaque no cenário nacional e mostrou uma trajetória diferente da média brasileira naquele momento.
Em abril, o Estado também havia registrado forte expansão no volume de serviços, com alta de 23,3% em relação a março, a maior variação mensal entre as unidades da Federação naquele levantamento.
O que os números representam para Alagoas
O setor de serviços possui peso importante na economia alagoana por reunir atividades diretamente ligadas ao consumo das famílias, turismo, alimentação, hospedagem, transporte, comércio de serviços e prestação de serviços empresariais.
O desempenho registrado nos meses anteriores indica que empresas alagoanas vinham encontrando espaço para ampliar a atividade mesmo diante de um cenário nacional mais moderado.
Para o Estado, a manutenção de um setor de serviços aquecido pode representar maior circulação de renda e oportunidades para empresas que atuam principalmente em segmentos ligados ao turismo e ao consumo.
O resultado também ganha relevância diante da importância da atividade turística para a economia alagoana, especialmente em períodos de maior movimentação de visitantes.
Turismo merece atenção especial
O turismo é acompanhado pelo IBGE por meio de um indicador específico que reúne atividades como hospedagem, alimentação, agências de viagens e transporte de passageiros, entre outras.
Para Alagoas, esse segmento tem importância estratégica por sua capacidade de movimentar uma extensa cadeia econômica, envolvendo hotéis, pousadas, restaurantes, bares, transporte, passeios turísticos e serviços especializados.
O desempenho do setor de serviços, portanto, não deve ser interpretado apenas como um indicador econômico abstrato: seus resultados podem se refletir diretamente na movimentação de empresas e trabalhadores que dependem da demanda de consumidores e visitantes.
Repercussão no cenário econômico
A divulgação dos dados ocorre em um momento em que os indicadores econômicos apontam para uma atividade ainda resistente, mas com sinais de desaceleração em algumas áreas.
No caso dos serviços, a estabilidade de junho veio depois de movimentos alternados nos meses anteriores. Em maio, o setor brasileiro havia recuado 0,4%, após crescer 1,1% em abril.
O economista Leonardo Costa, do ASA, avaliou o resultado de maio como sinal de uma desaceleração gradual da atividade de serviços, interpretação que ajuda a contextualizar o desempenho mais moderado observado no primeiro semestre.
Mesmo assim, a sequência de resultados positivos na comparação anual mostra que o setor continua apresentando expansão quando comparado ao mesmo período do ano anterior.
Cenário para o segundo semestre
Os números divulgados pelo IBGE deixam um cenário misto para os próximos meses.
De um lado, o setor encerrou o primeiro semestre com alta de 2%, permanece próximo do recorde histórico e registra crescimento na comparação anual.
De outro, a estabilidade de junho e a retração registrada em maio indicam que o ritmo de expansão não é uniforme.
Para Alagoas, o desempenho dos próximos meses dependerá especialmente do comportamento do consumo das famílias, do turismo, dos transportes e das atividades empresariais.
O Estado chega ao segundo semestre, portanto, após dois meses de resultados expressivos no setor: alta de 23,3% em abril e de 3,6% em maio na comparação mensal, além do avanço de 24,5% registrado em maio frente ao mesmo mês de 2025.
O que os números mostram
Brasil
- Junho ante maio: -0,2%
- Junho de 2026 ante junho de 2025: +2%
- Primeiro semestre: +2%
- Segundo trimestre: +0,4%
- Acumulado em 12 meses: +2,6%
- Nível em relação a fevereiro de 2020: +19,9%
- Distância do recorde de outubro de 2025: -0,3%
Alagoas
- Abril ante março: +23,3%
- Maio ante abril: +3,6%
- Maio de 2026 ante maio de 2025: +24,5%
Atenção: o dado estadual de Alagoas referente a junho deve ser consultado na tabela oficial da PMS assim que disponibilizado pelo IBGE. Por isso, os números de junho apresentados acima são os do Brasil, enquanto os dados alagoanos utilizados para contextualização correspondem aos resultados já divulgados de abril e maio.
