O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou ao Pentágono que reduza significativamente a participação americana nos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. A decisão foi anunciada neste domingo (16), poucas horas antes do início das manobras anuais realizadas pelos dois países.

Trump afirmou que não está satisfeito com a realização dos exercícios e citou os custos das operações como uma das razões para determinar a redução. O presidente americano também destacou sua relação com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, em uma sinalização de que pretende evitar medidas que possam ser interpretadas como provocação a Pyongyang.

Apesar da ordem de Trump, os exercícios Ulchi Freedom Shield começaram nesta segunda-feira (17), conforme o cronograma previamente estabelecido pelas autoridades sul-coreanas. As atividades estão previstas para terminar em 27 de agosto.

Exercícios envolvem milhares de militares

O treinamento conjunto reúne aproximadamente 18 mil militares sul-coreanos, além de forças dos Estados Unidos e integrantes de países ligados ao Comando das Nações Unidas na Coreia.

A programação foi elaborada para preparar os dois países para diferentes tipos de ameaças e cenários de conflito. Entre os exercícios previstos estão operações relacionadas a drones, ataques cibernéticos e possíveis interferências nos sistemas de GPS.

A iniciativa também busca incorporar lições de conflitos recentes, especialmente diante da evolução das tecnologias utilizadas em guerras contemporâneas.

Trump cita relação com Kim Jong-un

Ao anunciar a decisão, Trump afirmou que os exercícios são caros e enviam uma mensagem que considera inadequada e hostil à Coreia do Norte.

O presidente americano também mencionou sua relação com Kim Jong-un. Trump e o líder norte-coreano se reuniram durante seu primeiro mandato, em 2018 e 2019, em encontros que buscavam avançar nas negociações sobre o programa nuclear de Pyongyang.

Desde então, Trump tem demonstrado interesse em retomar o diálogo com o governo norte-coreano.

A decisão de reduzir os exercícios é vista por analistas como uma possível tentativa de criar um ambiente mais favorável para uma nova aproximação entre Washington e Pyongyang.

Coreia do Sul mantém exercícios

Apesar da determinação americana, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul informou que os exercícios seguiriam conforme o planejamento divulgado anteriormente.

As Forças Armadas sul-coreanas confirmaram que as manobras começaram nesta segunda-feira. O governo de Seul também afirmou que mantém coordenação próxima com Washington em relação às atividades militares.

A Casa Azul, sede da Presidência sul-coreana, declarou que espera que a relação entre Trump e Kim Jong-un possa contribuir para a retomada de um diálogo significativo entre Estados Unidos e Coreia do Norte.

Coreia do Norte critica exercícios

A realização das manobras já havia provocado reação do governo norte-coreano. Pyongyang classificou os exercícios como uma provocação e afirmou que a cooperação militar entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão representa uma ameaça crescente.

O governo norte-coreano também afirmou que responderá ao que considera um aumento do nível de ameaça militar na região com o fortalecimento de sua capacidade de dissuasão nuclear.

Mudança pode afetar estratégia de defesa

A redução dos exercícios ocorre em um momento de preocupação entre autoridades militares e especialistas sobre a evolução das capacidades das forças norte-coreanas.

Os treinamentos conjuntos são considerados importantes para manter a preparação das tropas e a capacidade de resposta dos aliados diante de um eventual conflito na Península Coreana.

A decisão de Trump, portanto, representa uma mudança relevante na estratégia militar dos Estados Unidos na região e poderá ter impacto tanto sobre a relação com Seul quanto sobre as tentativas de aproximação com Pyongyang.