A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) já apresenta resultados concretos na redução da circulação dos principais tipos do vírus entre jovens brasileiros. Dados de um amplo estudo realizado no país apontam que a prevalência dos quatro tipos de HPV cobertos pela vacina caiu praticamente pela metade após a ampliação da imunização, reforçando a importância da vacinação como estratégia de prevenção de doenças e de diferentes tipos de câncer.

A pesquisa Pop-Brasil, realizada pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, comparou dados coletados em diferentes períodos. Entre 2016 e 2017, 14,98% dos participantes avaliados apresentavam infecção por pelo menos um dos quatro tipos de HPV contemplados pela vacina. Já na etapa realizada entre 2020 e 2023, o índice caiu para 7,95%.

O resultado é considerado um importante indicador do impacto da vacinação em saúde pública e ganha relevância diante do fato de que o HPV está associado a diversos tipos de câncer, entre eles o câncer do colo do útero, além de tumores que podem atingir regiões como garganta, ânus e pênis.

Reflexos para Alagoas

Em Alagoas, os dados reforçam a necessidade de manter e ampliar as estratégias de vacinação entre adolescentes e jovens. Em 2025, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) estabeleceu a meta de imunizar cerca de 55 mil jovens de 15 a 19 anos que ainda não haviam recebido a vacina contra o HPV.

A mobilização estadual foi direcionada especialmente aos municípios com maior número de jovens não imunizados, entre eles Maceió e Arapiraca. A estratégia envolveu a atuação conjunta entre o Estado e os 102 municípios alagoanos, com ações previstas em unidades de saúde, escolas e instituições de ensino.

A ampliação do acesso é considerada fundamental para alcançar adolescentes que não foram vacinados na faixa etária recomendada. A vacinação de rotina contra o HPV é destinada principalmente a meninas e meninos de 9 a 14 anos, período em que a resposta imunológica tende a ser mais eficiente e a proteção ocorre antes da exposição ao vírus.

Prazo para jovens foi ampliado

O Ministério da Saúde também prorrogou até 31 de dezembro de 2026 a estratégia de resgate vacinal para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam o imunizante ou não possuem registro da vacinação.

Em Alagoas, a orientação é que esse público procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para verificar a situação vacinal e, quando necessário, receber a dose gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A medida representa uma oportunidade para recuperar parte da população jovem que ficou fora da vacinação na idade indicada. Em 2025, a estimativa do Ministério da Saúde era alcançar aproximadamente 7 milhões de jovens nessa faixa etária em todo o país.

Proteção contra o câncer

A queda observada na prevalência dos tipos de HPV incluídos na vacina reforça a relação direta entre vacinação e prevenção de doenças graves. O Ministério da Saúde destaca que o imunizante protege contra infecções provocadas por tipos do vírus relacionados a diferentes tumores.

No caso do câncer do colo do útero, a prevenção envolve uma combinação de estratégias: vacinação, acompanhamento médico e realização dos exames de rastreamento indicados para cada faixa etária.

Para Alagoas, especialistas e autoridades de saúde avaliam que ampliar a cobertura vacinal entre crianças, adolescentes e jovens é uma medida que pode produzir efeitos positivos no longo prazo, reduzindo a circulação do vírus e, consequentemente, contribuindo para diminuir a ocorrência de doenças relacionadas ao HPV.

Repercussão

A divulgação dos resultados da pesquisa reforça uma discussão que permanece no centro das políticas públicas de saúde: a necessidade de recuperar e manter altas coberturas vacinais.

O Brasil registrou avanço significativo na vacinação contra o HPV nos últimos anos. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicaram que, em 2024, a cobertura entre meninas de 9 a 14 anos ultrapassou 82%, enquanto entre os meninos da mesma faixa etária chegou a 67%.

Em Alagoas, as ações de vacinação realizadas nas escolas também vêm sendo utilizadas como estratégia para facilitar o acesso de crianças e adolescentes aos imunizantes. No primeiro semestre de 2025, mais de 18 mil doses de vacinas foram aplicadas em escolas do estado, dentro das ações do Programa Saúde na Escola.

O cenário reforça que a vacinação não depende apenas da oferta do imunizante, mas também da mobilização das famílias, das escolas e dos serviços de saúde para garantir que crianças e adolescentes mantenham a caderneta atualizada.

Para os municípios alagoanos, o desafio agora é aproveitar a ampliação do prazo de resgate e ampliar a busca ativa por jovens que ainda não foram imunizados. A avaliação da situação vacinal pode ser feita na unidade de saúde ou por meio do aplicativo Meu SUS Digital.

A experiência nacional apontada pela pesquisa indica que o aumento da vacinação já está produzindo impacto na circulação do HPV. Em Alagoas, a ampliação da proteção entre adolescentes e jovens pode representar, nos próximos anos, um avanço importante na prevenção de doenças e na redução da incidência de cânceres associados ao vírus.