BRASÍLIA – O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, deve se reunir nesta terça-feira (30) com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para tentar convencê-la a participar de um evento ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato da legenda à Presidência da República. A iniciativa ocorre em meio a sinais de desgaste na relação entre os dois e ao esforço do partido para evitar que divergências internas afetem a estratégia eleitoral para 2026.
O encontro promovido pela campanha de Flávio está marcado para esta quarta-feira (1º) e será voltado ao público feminino conservador. Nos bastidores, dirigentes do PL consideram a presença de Michelle importante para transmitir uma imagem de unidade e ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, segmento considerado estratégico para a campanha presidencial.
Michelle demonstra resistência
De acordo com interlocutores da ex-primeira-dama, Michelle não pretende participar da agenda por entender que o evento foi organizado sem sua participação, apesar de ela presidir o PL Mulher desde 2023. Pessoas próximas afirmam que a decisão também busca preservar sua imagem política em um momento de intensa exposição do grupo bolsonarista.
Aliadas de Michelle, entre elas a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), também sinalizaram que não devem comparecer ao encontro. A ausência de lideranças femininas ligadas ao partido é vista como um desafio para a estratégia de mobilização da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
PL tenta evitar ampliação da crise
Nos bastidores, Valdemar Costa Neto tem atuado para reduzir o impacto político das divergências entre Michelle e Flávio. O dirigente avalia que um gesto público de aproximação ajudaria a fortalecer a imagem de coesão do partido e evitaria desgastes em um momento em que o PL trabalha para consolidar seu projeto eleitoral nacional.
Parlamentares da legenda também defendem uma solução negociada, argumentando que disputas internas podem comprometer o desempenho da sigla durante a campanha presidencial.
Eleitorado feminino é considerado estratégico
A preocupação do partido está relacionada ao peso político de Michelle Bolsonaro entre mulheres e eleitores evangélicos. Desde que assumiu a presidência do PL Mulher, ela passou a desempenhar papel de destaque em agendas partidárias e é vista por dirigentes como uma das principais lideranças do campo conservador junto ao eleitorado feminino.
Analistas avaliam que uma eventual ausência da ex-primeira-dama em eventos considerados importantes pela campanha poderá alimentar especulações sobre dificuldades de articulação dentro do partido, embora lideranças do PL afirmem que continuam trabalhando para preservar a unidade da legenda.
Reflexos para Alagoas
Em Alagoas, o desenrolar da situação é acompanhado por lideranças ligadas ao PL e por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O partido possui representantes no estado e deve intensificar, nos próximos meses, as articulações para definir alianças e estratégias visando às eleições de 2026.
Especialistas em política observam que movimentos nacionais envolvendo figuras de grande influência no eleitorado conservador costumam repercutir também nos estados, influenciando a formação de palanques regionais e o posicionamento de lideranças locais.
Enquanto Valdemar Costa Neto tenta construir uma solução para o impasse, a expectativa é de que a reunião desta terça-feira ajude a definir se Michelle Bolsonaro participará do evento com Flávio ou manterá sua decisão de permanecer fora da agenda.
