O trabalho de contenção do vazamento de monômero de estireno na fábrica da Innova, localizada no Distrito Industrial de Manaus (AM), entrou no quarto dia neste sábado (18). Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas permanecem mobilizadas no resfriamento dos tanques de armazenamento da substância para evitar uma possível explosão.

Embora a emissão de vapores tenha diminuído nas últimas horas, o forte odor do produto químico ainda é percebido nas proximidades da indústria. Por medida de segurança, o perímetro de aproximadamente 300 metros ao redor da empresa continua isolado.

O incidente teve início na tarde da última quarta-feira (15), após uma elevação anormal da temperatura em um dos reservatórios que armazenava monômero de estireno, composto químico utilizado na fabricação de plásticos, resinas e borrachas sintéticas. A substância é considerada inflamável e tóxica quando inaladas altas concentrações.

Mais de 400 pessoas buscaram atendimento

O vazamento mobilizou a rede de saúde da capital amazonense. Segundo dados divulgados pelas autoridades estaduais e municipais, pelo menos 411 pessoas procuraram atendimento médico após apresentarem sintomas compatíveis com a exposição ao produto químico.

Entre os principais sintomas relatados estão irritação nos olhos e na garganta, dores de cabeça, náuseas, tontura e dificuldade para respirar.

Durante o atendimento às ocorrências, um homem de 67 anos morreu após dar entrada em uma unidade de saúde. No entanto, a Secretaria de Estado de Saúde informou que o paciente possuía doença respiratória crônica e, até o momento, não foi comprovada relação direta entre o óbito e o vazamento.

Bombeiros monitoram estrutura do tanque

As equipes seguem utilizando equipamentos de medição a laser para acompanhar a temperatura interna do reservatório, enquanto realizam o resfriamento constante da parte externa do tanque.

Durante as inspeções, engenheiros identificaram pequenas fissuras na estrutura metálica do reservatório, provocadas pelo superaquecimento da substância. Apesar disso, os técnicos afirmam que a situação permanece sob monitoramento permanente para evitar novos vazamentos ou o agravamento dos danos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a principal hipótese é que tenha ocorrido uma reação química espontânea no interior do tanque.

De acordo com os especialistas, a quebra das moléculas do estireno pode provocar uma reação em cadeia, elevando rapidamente a temperatura do produto. As válvulas de segurança da estrutura foram acionadas automaticamente, liberando parte do gás para evitar uma explosão de grandes proporções.

Empresa é multada em quase R$ 10 milhões

A gravidade do incidente levou a Prefeitura de Manaus a aplicar duas multas ambientais contra a Innova, que somam quase R$ 10 milhões.

As autuações ocorreram por poluição atmosférica, contaminação do solo e possível impacto sobre corpos hídricos próximos à unidade industrial. Além disso, parte das instalações da empresa foi interditada até que laudos técnicos comprovem a segurança para retomada das atividades.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a Defesa Civil, a Polícia Militar e demais órgãos ambientais acompanham a operação de contenção.

Investigação vai apurar as causas

Com a estabilização da ocorrência, a Polícia Civil e a Polícia Científica deverão realizar perícias para identificar as causas do superaquecimento que provocou o vazamento.

A investigação também buscará verificar se houve falhas operacionais ou de manutenção na planta industrial.

Em nota, a Innova informou que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos internos de emergência. A empresa afirmou que não houve incêndio, que o resíduo liberado está sendo tratado adequadamente e que permanece colaborando com os órgãos de fiscalização durante toda a investigação.

Autoridades mantêm orientações à população

Apesar da redução na emissão de vapores, as autoridades orientam que moradores das áreas próximas permaneçam atentos a sintomas como falta de ar, irritação nos olhos, dor de garganta, tontura ou náuseas. Quem apresentar qualquer sinal de intoxicação deve procurar imediatamente uma unidade de saúde ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A Defesa Civil também recomenda manter ambientes bem ventilados e evitar o uso de equipamentos que puxem ar do ambiente externo enquanto persistirem os trabalhos de monitoramento no entorno da fábrica.