A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal voltou a enfrentar obstáculos no Congresso Nacional. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não colocar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em votação antes do recesso parlamentar, previsto para começar em meados de julho, frustrando a expectativa de entidades sindicais e de parlamentares que defendem uma tramitação mais rápida.

Segundo interlocutores do presidente do Senado, Alcolumbre pretende ampliar o debate antes de definir um cronograma para a proposta. A intenção é ouvir representantes do governo federal, do setor produtivo, das centrais sindicais e também a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados. A estratégia evita estabelecer um prazo para votação e amplia as negociações em torno do texto.

A PEC aprovada pelos deputados prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso semanal remunerado, extinguindo a tradicional escala de seis dias consecutivos de trabalho para um de folga. O texto é considerado uma das principais pautas trabalhistas em discussão no Congresso em 2026.

Senado deve discutir mudanças no texto

Nos bastidores, parlamentares afirmam que o Senado poderá promover alterações na proposta antes da votação em plenário. Entre as possibilidades debatidas estão regras específicas para determinados setores da economia, como comércio, serviços e turismo, além da análise de mecanismos de flexibilização da jornada em algumas atividades. Caso o texto seja modificado, a PEC precisará retornar à Câmara dos Deputados para uma nova votação, o que poderá prolongar sua tramitação.

A demora também está relacionada à preocupação de senadores com os impactos econômicos da medida. Representantes do setor empresarial defendem que mudanças na jornada de trabalho sejam discutidas de forma gradual, argumentando que a redução da carga horária pode elevar custos operacionais, especialmente para micro e pequenas empresas. Já sindicatos sustentam que a medida melhora a qualidade de vida dos trabalhadores e pode aumentar a produtividade.

Repercussão nacional

O adiamento provocou reações entre movimentos sociais e centrais sindicais, que organizaram mobilizações em diversas cidades brasileiras para pressionar o Senado a acelerar a tramitação da PEC. Ao mesmo tempo, entidades empresariais intensificaram a articulação junto aos parlamentares para defender alterações no texto antes de sua eventual aprovação.

O que muda para Alagoas

Em Alagoas, uma eventual aprovação da PEC poderá impactar diretamente milhares de trabalhadores empregados nos setores de comércio, supermercados, shopping centers, hotéis, bares, restaurantes, turismo, saúde e segurança privada, segmentos nos quais a escala 6x1 é amplamente utilizada.

Empresários alagoanos avaliam que a mudança exigirá reorganização das equipes, contratação de novos funcionários em alguns casos e adaptação das escalas de trabalho. Já representantes dos trabalhadores defendem que a redução da jornada pode proporcionar mais qualidade de vida, diminuir o desgaste físico e mental e ampliar a geração de empregos caso seja necessária a contratação de novos profissionais para suprir a carga horária.

Especialistas em relações do trabalho destacam que, independentemente do resultado final da PEC, o debate já influencia negociações coletivas em diversos estados, incluindo Alagoas, onde sindicatos de categorias do comércio e de serviços acompanham de perto a tramitação da proposta.

Sem consenso entre governo, oposição, empresários e centrais sindicais, a tendência é que a discussão avance apenas após o retorno das atividades legislativas, mantendo uma das principais pautas trabalhistas do país em aberto e com forte potencial de influenciar o ambiente político e econômico até as eleições de 2026.