A Polícia Federal retomou as negociações de um acordo de delação premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Neste mês, a corporação tinha rejeitado a primeira proposta entregue pela defesa do empresário por considerar que as informações apresentadas por ele não eram inéditas ou eficazes para as investigações.

A PF já formalizou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça o pedido para retomar as tratativas.

Vorcaro negocia a delação desde março, quando foi preso pela Polícia Federal pela segunda vez no contexto das investigações sobre o Banco Master. Naquele mês, ele assinou um termo de confidencialidade com a corporação e a PGR (Procuradoria-Geral da República) para começar o processo de colaboração.

Segundo apurou a RECORD, como a PF rejeitou a primeira proposta de delação e agora quer voltar com as negociações, Vorcaro terá de aderir a um novo termo de confidencialidade. A Polícia Federal quer participar junto com a PGR no processo.

Mudança de advogado

A decisão da corporação de reiniciar as conversas com Vorcaro ocorre após mudanças na equipe de defesa do empresário.

Depois que a Polícia Federal rejeitou a primeira proposta, o advogado José Luís Oliveira Lima, o Juca, especialista em colaboração premiada, deixou a defesa de Vorcaro.


Quem permanece à frente do caso é o criminalista Sérgio Leonardo, amigo pessoal do ex-banqueiro. Segundo apurou o blog Quarta Instância, o objetivo do advogado é tentar apresentar uma colaboração mais robusta e atuar para isolar Vorcaro do núcleo central das fraudes investigadas.

A linha de defesa buscará sustentar que os elementos já reunidos pelas autoridades não comprovam dolo — ou seja, intenção — nem participação direta do ex-banqueiro nos crimes apurados.


Até o momento, investigadores avaliam que Vorcaro tem omitido informações consideradas relevantes e tentado preservar figuras políticas e familiares citados nas apurações.

PGR endurece postura

A PGR tem indicado que não deve fechar o acordo de delação premiada com Vorcaro nos moldes atuais. O órgão considera os termos insuficientes e cobra a entrega de novas provas e informações mais robustas.

Para a PGR, até o momento, a proposta entregue por Vorcaro não tem elementos novos ou consistentes o bastante que justifiquem os benefícios jurídicos que seriam concedidos a ele.

Os principais pontos que travam a assinatura do acordo são:

  • Falta de materialidade: a PGR exige documentos, comprovantes de transações, mensagens ou registros que comprovem os crimes narrados, e não apenas depoimentos de “ouvi dizer”;
  • Novos alvos: para que uma delação tenha valor para os investigadores, ela precisa apontar a liderança de esquemas criminosos ou caminhos para recuperar ativos desproporcionais, algo que o órgão avalia que ainda não foi totalmente entregue;
  • Proporcionalidade do benefício: o Ministério Público considera que os prêmios pedidos pelo empresário (como redução de pena ou perdão judicial) estão altos demais para o volume de informações úteis oferecido.