A Arquidiocese de Maceió publicou um decreto com orientações para a participação de fiéis, agentes pastorais e membros do clero durante o período das eleições de 2026. O documento, assinado pelo arcebispo metropolitano Dom Carlos Alberto Breis Pereira, conhecido como Dom Beto Breis, define normas para preservar a missão da Igreja e impedir que templos, celebrações e estruturas eclesiais sejam utilizados para fins político-partidários.

Entre as principais determinações, o decreto estabelece que leigos e leigas que pretendam disputar cargos eletivos, exercer funções de direção partidária ou atuar como cabos eleitorais deverão solicitar afastamento das funções pastorais e de liderança exercidas nas paróquias e demais organismos da Arquidiocese. A licença deverá ocorrer com antecedência mínima de 90 dias antes do primeiro turno das eleições.

A medida alcança coordenadores de pastorais, integrantes de conselhos paroquiais, catequistas, ministros extraordinários da Comunhão, leitores, acólitos, animadores litúrgicos e outros serviços oficialmente reconhecidos pela Arquidiocese. O objetivo é evitar que atividades pastorais sejam confundidas com ações de campanha eleitoral.

Igrejas não poderão ser usadas para campanhas

O decreto também proíbe a utilização de igrejas, capelas, salões paroquiais, centros de evangelização e demais espaços pertencentes à Arquidiocese para reuniões político-partidárias, comícios, atos de campanha ou qualquer manifestação de apoio ou oposição a candidatos.

Durante missas, celebrações, procissões, novenas e demais eventos religiosos, ficam vedados discursos políticos, pedidos de voto, apresentações de candidatos e distribuição de material de campanha. As restrições também se estendem aos canais oficiais de comunicação da Arquidiocese e das paróquias, que não poderão ser utilizados para divulgação de conteúdo eleitoral.

Clero deverá manter neutralidade

Outro ponto previsto no documento determina que padres, diáconos e demais membros do clero mantenham postura de neutralidade político-partidária durante o período eleitoral. O decreto orienta que ministros ordenados evitem manifestações públicas que possam ser interpretadas como apoio ou rejeição a candidatos, partidos ou coligações.

Além disso, candidatos não poderão utilizar imagens ao lado de integrantes do clero ou símbolos oficiais da Arquidiocese em materiais de campanha, caso isso possa induzir o eleitor a acreditar na existência de apoio institucional da Igreja.

Restrições a homenagens durante o período eleitoral

O documento também estabelece que, entre 16 de agosto e 26 de outubro, membros do clero e agentes pastorais não deverão receber medalhas, títulos honoríficos, comendas ou outras homenagens concedidas por órgãos públicos, salvo em situações excepcionais autorizadas pela autoridade eclesiástica. A intenção é evitar que esses reconhecimentos sejam utilizados com finalidade eleitoral ou associados à promoção de candidaturas.

Incentivo ao voto consciente

Ao apresentar o decreto, Dom Beto Breis reforça que a Igreja reconhece a política como um importante instrumento de promoção do bem comum e incentiva os fiéis a exercerem a cidadania de forma responsável e consciente. No entanto, ressalta que a missão evangelizadora da Igreja deve permanecer acima das disputas partidárias, preservando a comunhão entre os fiéis e o respeito à legislação eleitoral.

As orientações terão validade durante todo o período oficial da campanha eleitoral de 2026 e deverão ser observadas por paróquias, comunidades, pastorais, movimentos e organismos ligados à Arquidiocese de Maceió.