O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (5) o novo patamar da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. A expectativa predominante no mercado financeiro é de mais uma redução de 0,25 ponto percentual.
Se o corte for confirmado, a Selic cairá de 14,25% para 14% ao ano. A decisão será divulgada após a reunião do Copom, que acompanha indicadores de inflação, atividade econômica, câmbio e o cenário internacional antes de definir a política monetária.
A expectativa pelo novo corte ocorre depois de uma sequência de sinais de desaceleração da inflação. Em julho, o IPCA-15 registrou alta de apenas 0,06%, abaixo dos 0,41% observados em junho. O resultado ajudou a reforçar a percepção de que existe espaço para uma redução gradual dos juros.
Mercado prevê Selic ainda menor até o fim do ano
Além da decisão desta quarta, o mercado financeiro passou a projetar uma taxa Selic mais baixa no encerramento de 2026.
Segundo o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (3), a estimativa para a Selic no fim deste ano caiu de 14% para 13,75%. Foi a primeira revisão para baixo nessa projeção desde março.
Para 2027, a previsão permanece em 12%, enquanto a estimativa para 2028 aponta para uma taxa de 10,5%.
O mercado também reduziu a previsão para o IPCA de 2026, de 5,12% para 5,03%. Ainda assim, a projeção permanece acima do centro da meta de inflação, estabelecida em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O que pode mudar para o consumidor
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação e influencia diretamente o custo do dinheiro no país.
Quando os juros caem, existe a expectativa de redução gradual do custo de empréstimos e financiamentos. A medida também pode estimular o consumo e a atividade econômica.
Na prática, porém, uma eventual redução da Selic não significa que os juros cobrados pelos bancos cairão imediatamente na mesma proporção. As instituições financeiras consideram outros fatores, como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro na definição das taxas para consumidores e empresas.
Cenário internacional exige cautela
A decisão do Copom ocorre em um cenário marcado também por incertezas externas.
Entre os fatores acompanhados pelo mercado estão as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais de combustíveis e outras commodities.
Essas variáveis podem afetar inflação, câmbio e atividade econômica e, por isso, entram no radar do Banco Central na definição dos próximos passos da política monetária.
Quarto corte consecutivo?
Caso o corte de 0,25 ponto percentual seja confirmado, será a quarta redução consecutiva da Selic, segundo as expectativas reunidas pelo mercado.
A decisão desta quarta-feira, no entanto, não deve ser analisada apenas pelo tamanho do corte. A comunicação do Banco Central sobre os próximos passos também será acompanhada de perto por investidores e economistas, principalmente diante das projeções de inflação ainda acima da meta.
O anúncio do novo patamar da Selic deve definir o tom das expectativas para as próximas reuniões do Copom e para o comportamento dos juros no restante de 2026.
