O governo brasileiro intensificou as articulações diplomáticas e comerciais na expectativa de uma última rodada de negociações com os Estados Unidos antes da decisão prevista para o próximo dia 15 de julho sobre a aplicação de novas tarifas a produtos brasileiros.

A expectativa no Palácio do Planalto é de que uma videoconferência entre representantes dos dois países ocorra nos próximos dias. Do lado brasileiro, a intenção é obter uma sinalização mais clara do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre o alcance das medidas que poderão ser anunciadas pelo governo norte-americano. Apesar das conversas mantidas nas últimas semanas, integrantes do governo admitem que as chances de evitar completamente a taxação são reduzidas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros da área econômica e das Relações Exteriores para avaliar o cenário e decidiu manter a estratégia adotada desde o início das negociações: continuar o diálogo técnico, mas sem aceitar mudanças consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros. Entre os temas que permanecem fora da mesa de negociação está a revisão da política brasileira para o etanol e outras demandas apresentadas pelos norte-americanos.

Nos bastidores, a avaliação do governo é que o histórico recente da política comercial dos Estados Unidos, aliado às declarações do representante comercial Jamieson Greer, indica que algum nível de tarifa deverá ser implementado. Ainda assim, Brasília pretende manter os canais diplomáticos abertos mesmo após o anúncio previsto para a próxima semana, caso seja necessário discutir ajustes ou eventuais exceções para determinados setores.

Impactos podem chegar a Alagoas

Embora a negociação ocorra entre os governos federal e norte-americano, uma eventual elevação das tarifas pode provocar reflexos na economia de Alagoas, especialmente em cadeias produtivas voltadas ao mercado externo.

Especialistas apontam que qualquer restrição ao comércio com os Estados Unidos pode afetar empresas exportadoras brasileiras, reduzindo a competitividade de produtos nacionais. Em Alagoas, segmentos ligados ao agronegócio, à indústria sucroenergética, à produção química, ao setor mineral e à fabricação de derivados industriais acompanham o desenrolar das negociações, já que parte da produção tem como destino o mercado internacional.

Além dos impactos diretos sobre exportadores, economistas alertam que medidas desse tipo podem influenciar investimentos, geração de empregos e o ritmo da atividade econômica, caso as barreiras comerciais sejam ampliadas.

Governo aposta na negociação

O governo federal afirma que continuará buscando uma solução negociada antes da entrada em vigor das medidas. Segundo integrantes da equipe econômica, a prioridade é preservar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, um dos principais parceiros econômicos do país.

Mesmo que as tarifas sejam confirmadas, a expectativa é de que novas rodadas de diálogo ocorram posteriormente para tentar reduzir seus efeitos sobre empresas brasileiras e preservar a competitividade das exportações nacionais.