A Polícia Federal afirma ter identificado um esquema que previa o pagamento de contratos de até R$ 2 milhões para influenciadores digitais que aceitassem publicar conteúdos em defesa do empresário Daniel Vorcaro e com críticas à atuação do Banco Central. As informações fazem parte da mais recente fase da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis crimes relacionados ao caso envolvendo o antigo Banco Master.

Segundo os investigadores, o chamado "Projeto DV" teria sido estruturado para mobilizar influenciadores e outros agentes de comunicação com o objetivo de influenciar a opinião pública após as medidas adotadas pelo Banco Central contra a instituição financeira. A PF sustenta que os conteúdos buscavam questionar a atuação da autoridade monetária e fortalecer uma narrativa favorável ao grupo investigado.

As investigações apontam que o publicitário Thiago Miranda teria desempenhado papel central na articulação da estratégia. Em depoimento, ele confirmou à Polícia Federal que participou da contratação de influenciadores para divulgação de conteúdos, mas afirmou que sua atuação se restringiu à intermediação comercial e ao repasse de materiais aos contratados.

Outro ponto apurado pela PF envolve a coleta de informações sobre jornalistas e pessoas ligadas ao caso. De acordo com os investigadores, o material reunido poderia ser utilizado para pressionar ou constranger profissionais que produziam reportagens relacionadas às investigações sobre o Banco Master. Esses fatos também passaram a integrar o inquérito conduzido pela corporação.

Defesa nega irregularidades

Em nota divulgada após a operação, a defesa de Thiago Miranda negou qualquer prática ilícita e afirmou que a contratação de campanhas de comunicação faz parte da atividade empresarial, sustentando que não houve ilegalidade na atuação do publicitário. Os advogados também pediram respeito ao princípio da presunção de inocência e disseram que irão apresentar os esclarecimentos necessários durante o andamento das investigações.

Repercussão

A nova etapa da Operação Compliance Zero ampliou a repercussão do caso em Brasília e nas redes sociais, reacendendo o debate sobre os limites da publicidade digital, do marketing de influência e da utilização de campanhas pagas para tentar interferir em discussões de interesse público.

Especialistas em direito digital e comunicação avaliam que, caso as suspeitas sejam confirmadas, o episódio poderá reforçar discussões sobre transparência em publicações patrocinadas, identificação de conteúdos publicitários e eventual responsabilização de participantes envolvidos em campanhas que tenham como objetivo manipular a opinião pública.

O que isso representa

Embora a investigação tenha foco nacional, o caso também desperta atenção em Alagoas, onde o crescimento do mercado de influenciadores digitais e da produção de conteúdo nas redes sociais acompanha uma tendência observada em todo o país. O episódio evidencia a importância da transparência na publicidade digital e reforça o debate sobre a responsabilidade de criadores de conteúdo quando participam de campanhas remuneradas envolvendo temas de interesse público.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas diligências poderão ser realizadas para esclarecer a participação de outros envolvidos. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre os fatos investigados.