Lideranças dos caminhoneiros autônomos aumentaram a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que a Medida Provisória (MP) do Frete seja votada antes do prazo final de vigência. A categoria afirma que, caso o texto perca a validade, poderá deflagrar uma mobilização nacional nos próximos dias.
A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda análise do Senado. Como a medida provisória expira em 16 de julho, representantes dos transportadores afirmam que o tempo para a votação está se esgotando e cobram uma definição da Mesa Diretora da Casa.
Segundo entidades que representam os caminhoneiros, a MP fortalece a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário, amplia mecanismos para impedir a contratação de serviços abaixo da tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e torna mais rigoroso o controle das operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT).
Nos bastidores do Congresso, o atraso na votação tem provocado insatisfação entre lideranças da categoria, que acusam o Senado de postergar a análise da matéria. O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como "Chorão", voltou a defender a aprovação imediata da proposta e afirmou que a perda da validade da medida representaria um retrocesso para os caminhoneiros.
Caso a MP não seja apreciada dentro do prazo constitucional, todas as mudanças previstas deixam de produzir efeitos. Para os representantes dos transportadores, isso enfraqueceria a política de garantia do piso mínimo do frete, considerada uma das principais reivindicações da categoria desde a greve nacional de 2018.
Enquanto os caminhoneiros defendem a manutenção das novas regras, entidades ligadas ao setor industrial, ao agronegócio e aos embarcadores manifestam preocupação com possíveis aumentos dos custos logísticos. Esses segmentos argumentam que o endurecimento da fiscalização poderá elevar despesas operacionais e impactar a competitividade do transporte de cargas.
A possibilidade de uma nova paralisação preocupa diversos setores da economia. Uma interrupção no transporte rodoviário pode afetar o abastecimento de combustíveis, alimentos, medicamentos e insumos industriais, além de provocar reflexos nos preços e na logística em todo o país.
Até o momento, o Senado mantém a expectativa de analisar a proposta antes do início do recesso parlamentar, mas ainda não há confirmação oficial sobre a data definitiva da votação. Enquanto isso, lideranças dos caminhoneiros afirmam que permanecerão mobilizadas e não descartam novas manifestações caso o texto continue sem deliberação.
