A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 deve alcançar 360,8 milhões de toneladas, segundo a estimativa divulgada nesta quinta-feira (13) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 2,4% em relação à temporada anterior, com acréscimo de aproximadamente 8,5 milhões de toneladas.
Os números fazem parte do 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, elaborado a partir de pesquisa de campo realizada no fim de julho. A área cultivada no país está estimada em 83,5 milhões de hectares, alta de 2,1% sobre o ciclo anterior.
A produtividade média nacional está projetada em 4.322 quilos por hectare, próxima à registrada na safra passada.
Soja, milho e sorgo puxam crescimento
Entre os principais produtos, a soja deve apresentar um dos maiores avanços. A produção estimada chega a 180,5 milhões de toneladas, aumento de cerca de 9 milhões de toneladas na comparação com a safra anterior.
O milho também contribui para o resultado positivo. A Conab projeta uma produção total de aproximadamente 143 milhões de toneladas, considerando as três safras do cereal.
Já o sorgo deve alcançar 7,4 milhões de toneladas, crescimento de 20,7% em relação ao ciclo anterior. A área destinada à cultura aumentou 32,9%, embora a produtividade média estimada tenha recuado.
Clima afeta lavouras em parte de Alagoas
Apesar da perspectiva de recorde nacional, as condições climáticas não foram favoráveis em todas as regiões.
Segundo a Conab, as precipitações registradas desde junho prejudicaram o desenvolvimento de lavouras no Nordeste, principalmente no nordeste da Bahia, em Sergipe e em parte de Alagoas.
O levantamento considera os efeitos das condições climáticas sobre as diferentes culturas e regiões produtoras, mostrando que o avanço nacional da produção ocorre mesmo diante de dificuldades pontuais provocadas pelo clima.
Milho supera 142 milhões de toneladas
A produção total de milho deve chegar a 142,96 milhões de toneladas, crescimento de 1,3% sobre a safra 2024/25.
A primeira safra tem estimativa de 29,5 milhões de toneladas, enquanto a segunda deve responder por aproximadamente 111 milhões de toneladas. Para a terceira safra, a previsão é de 2,4 milhões de toneladas.
A Conab também projeta aumento do consumo interno do cereal. A demanda doméstica está estimada em aproximadamente 95 milhões de toneladas, enquanto os estoques de passagem ao final do ciclo devem ficar em torno de 15,6 milhões de toneladas.
Algodão mantém bom desempenho
Para o algodão, a estimativa é de aproximadamente 5,8 milhões de toneladas em caroço, equivalentes a cerca de 4,1 milhões de toneladas de pluma.
A colheita começou em junho e, de acordo com o levantamento, já alcançava 43,7% da área destinada à cultura. A Conab avalia que, de maneira geral, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras.
Arroz e feijão têm redução
Nem todas as culturas apresentam crescimento.
A produção de arroz está estimada em 11,1 milhões de toneladas, queda de 13,1% em relação à safra anterior. A retração está associada principalmente à redução da área plantada, que diminuiu 14%.
Para o feijão, a previsão é de aproximadamente 3 milhões de toneladas, volume 3,2% inferior ao registrado no ciclo 2024/25. Mesmo com a redução, a Conab avalia que a produção deve ser suficiente para garantir o abastecimento do mercado interno.
O trigo também aparece entre os produtos com retração. A produção prevista é de 5,8 milhões de toneladas, queda de 26,2% em relação à safra de 2025, influenciada pela redução de 20,4% na área cultivada.
Produção nacional segue em patamar recorde
Com a nova projeção, a safra 2025/26 mantém a trajetória de crescimento da produção brasileira de grãos. O resultado é sustentado principalmente pela expansão da área cultivada e pelo desempenho de culturas como soja, milho e sorgo.
A Conab continuará acompanhando o desenvolvimento das lavouras e poderá atualizar as estimativas nos próximos levantamentos.
