A implantação da reforma tributária sobre o consumo começa a impor novos desafios para empresas brasileiras. Um levantamento da empresa de tecnologia fiscal V360 aponta que 66,2% das notas fiscais eletrônicas analisadas apresentam inconsistências que poderão dificultar o aproveitamento de créditos tributários no modelo que será adotado com a entrada da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

O novo sistema tributário, criado pela Emenda Constitucional nº 132 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025, altera a forma de apuração dos tributos sobre o consumo e torna a nota fiscal eletrônica um elemento central para a geração e validação dos créditos tributários. Com isso, informações incorretas, incompletas ou incompatíveis com as novas regras poderão resultar na perda ou no atraso desses créditos.

Entre os problemas identificados no estudo estão divergências cadastrais, classificação inadequada de produtos e serviços, falhas no preenchimento de campos obrigatórios e inconsistências que hoje muitas empresas conseguem corrigir posteriormente, mas que tendem a ter impacto maior com a reforma.

Durante o período de transição, iniciado em 2026, as empresas já precisam adaptar seus sistemas para destacar a CBS e o IBS nas notas fiscais eletrônicas, mesmo antes da cobrança integral dos novos tributos. A Receita Federal destaca que essa fase serve para testar processos e preparar contribuintes para o novo modelo, que será implementado gradualmente.

O que muda para as empresas de Alagoas

Em Alagoas, o alerta alcança desde micro e pequenas empresas até indústrias, atacadistas, prestadores de serviços e o setor do comércio. Negócios que não adequarem seus sistemas de emissão de notas fiscais poderão enfrentar dificuldades para aproveitar créditos tributários, além de correr o risco de autuações e aumento dos custos operacionais.

Especialistas em contabilidade avaliam que a mudança exigirá investimentos em atualização de softwares de gestão (ERPs), treinamento de equipes fiscais e revisão dos processos internos de emissão de documentos fiscais. Para empresas que atuam em cadeias produtivas, uma falha na nota emitida por um fornecedor também poderá afetar o crédito tributário do comprador.

No estado, setores como comércio, construção civil, indústria de alimentos, sucroenergético e serviços estão entre os que devem sentir mais rapidamente os efeitos da nova sistemática, já que realizam grande volume de operações com emissão de documentos fiscais eletrônicos.

Entidades empresariais recomendam preparação

Representantes do setor contábil e empresarial têm orientado os contribuintes a não esperar o início da cobrança efetiva dos novos tributos para promover as adaptações. A recomendação é revisar cadastros de clientes e fornecedores, atualizar sistemas informatizados e acompanhar as normas técnicas divulgadas pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS.

Além disso, novas regras para emissão, correção e cancelamento de documentos fiscais passaram a prever mecanismos de controle mais rigorosos durante a transição da reforma, reforçando a importância da conformidade fiscal em todas as etapas das operações comerciais.

Transição será gradual

A reforma tributária será implementada de forma escalonada. Em 2026, o foco está na adaptação dos sistemas e das obrigações acessórias. Nos anos seguintes ocorrerá a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pelo novo modelo composto pela CBS e pelo IBS.

Para especialistas, a fase atual representa uma oportunidade para que empresas de Alagoas se preparem com antecedência, reduzindo riscos operacionais e evitando prejuízos relacionados ao aproveitamento de créditos tributários quando o novo sistema estiver plenamente em funcionamento.