Uma proposta apresentada pela Fifa para criar uma empresa responsável pela gestão comercial da Copa do Mundo e de outras competições internacionais desencadeou uma das maiores crises recentes do futebol mundial. O projeto prevê a venda de uma participação minoritária da nova companhia a investidores privados, medida que recebeu forte oposição da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) e de diversas federações nacionais.

Em meio à polêmica, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou ao centro das discussões por causa de sua relação próxima com o presidente da Fifa, Gianni Infantino. A aproximação entre os dois se intensificou nos últimos anos, especialmente com a preparação da Copa do Mundo de 2026, que tem Estados Unidos, Canadá e México como países-sede.

Qual é a proposta da Fifa?

O plano prevê a criação de uma subsidiária para administrar os direitos comerciais das principais competições organizadas pela entidade, incluindo a Copa do Mundo. Parte dessa empresa seria vendida a fundos de investimento, em uma operação avaliada em cerca de US$ 20 bilhões.

Segundo a Fifa, a iniciativa permitiria ampliar as receitas e aumentar os repasses financeiros às 211 federações filiadas. A entidade afirma que investidores não teriam influência sobre regras esportivas ou decisões relacionadas às competições.

Por que a Europa reagiu?

A Uefa classificou a proposta como uma ameaça ao futuro do futebol e afirmou que transformar a Copa do Mundo em um ativo financeiro colocaria interesses comerciais acima da tradição esportiva.

Em comunicado conjunto, as 55 associações nacionais ligadas à entidade europeia acusaram a Fifa de conduzir o projeto sem diálogo suficiente e anunciaram que poderão boicotar competições organizadas pela entidade caso a proposta avance. A Concacaf também manifestou preocupação com a falta de transparência durante a elaboração do projeto.

Onde entra Donald Trump?

Embora não participe da administração da Fifa, Trump passou a ser citado no debate por causa da relação política e institucional construída com Gianni Infantino durante a preparação da Copa do Mundo de 2026.

O presidente norte-americano lidera a força-tarefa criada pelo governo dos Estados Unidos para coordenar as ações relacionadas ao Mundial e tem participado de eventos oficiais ao lado do dirigente da Fifa. A proximidade entre ambos aumentou a atenção sobre eventuais conexões entre o ambiente político norte-americano e os investidores interessados no novo modelo comercial defendido por Infantino.

O que pode acontecer?

A proposta ainda depende da aprovação das federações filiadas à Fifa. Enquanto isso, cresce a pressão internacional para que o projeto seja revisto.

Caso a ameaça de boicote europeu se concretize, competições como a Copa do Mundo masculina, o Mundial Feminino e torneios de base poderão sofrer impactos significativos, já que seleções tradicionais do continente deixariam de participar. A crise também aumenta a pressão política sobre Gianni Infantino, que enfrenta questionamentos sobre a condução do projeto e sua permanência no comando da entidade.