Israel não pretende retirar suas tropas da Faixa de Gaza enquanto não houver um desarmamento efetivo do Hamas, segundo uma autoridade israelense ouvida pela agência Reuters nesta sexta-feira (31). A declaração ocorre em meio a uma nova tentativa diplomática de encerrar o conflito e estabelecer uma administração para o território palestino.
A situação ganhou um novo capítulo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que o chamado Conselho da Paz havia alcançado um acordo sobre um roteiro para o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados que atuam em Gaza.
Horas depois, o Hamas afirmou que aceitou o plano, mas condicionou a implementação a compromissos que envolvem o fim das hostilidades e a retirada das forças israelenses do território.
Israel, até o momento, não confirmou oficialmente que tenha aderido aos termos anunciados.
O que prevê o acordo
O plano estabelece um processo gradual de desmilitarização da Faixa de Gaza.
Entre as medidas previstas estão a entrega e o armazenamento das armas do Hamas e de outras milícias, a desmontagem de estruturas militares e túneis e a transferência do controle de segurança para uma nova estrutura administrativa palestina.
A execução seria acompanhada por mecanismos internacionais de verificação e por uma força de estabilização, que teria participação na segurança do território e no treinamento de forças policiais locais.
O acordo também prevê a criação de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza, que assumiria funções de governo e participaria dos processos de reconstrução e organização dos serviços públicos.
A retirada israelense seria realizada por etapas, vinculada ao cumprimento das metas estabelecidas para o desarmamento e à transferência do controle territorial.
Hamas impõe condição para implementação
Embora tenha declarado aceitar o plano, o Hamas afirmou que a execução dependerá do cumprimento de compromissos por parte de Israel.
Um dirigente do grupo disse à Reuters que a implementação deverá ocorrer somente depois que Israel cumprir suas próprias obrigações previstas no acordo anterior.
O ponto evidencia uma das principais dificuldades para transformar o anúncio diplomático em uma trégua efetiva.
Enquanto o Hamas defende a retirada das tropas israelenses como parte do processo, Israel insiste que o desarmamento precisa ser concreto antes de uma retirada completa.
Essa divergência pode determinar o ritmo das próximas etapas.
Israel exige “desarmamento genuíno”
A autoridade israelense ouvida pela Reuters afirmou que o país não deixará Gaza até que o Hamas cumpra o compromisso de entregar suas armas de maneira efetiva.
A posição indica que Israel pretende verificar na prática a desmilitarização do território antes de avançar para uma retirada.
O governo israelense considera o desarmamento do Hamas uma das condições centrais para impedir que o grupo volte a representar uma ameaça militar.
O Hamas, por outro lado, vinha afirmando que não aceitaria discutir a entrega de seu armamento sem garantias de que Israel deixaria completamente a Faixa de Gaza.
Administração de Gaza pode mudar
Um dos pontos centrais do novo plano é a mudança na estrutura de governo do território.
A proposta prevê que uma administração palestina tecnocrática assuma a gestão civil de Gaza, com apoio internacional para a reconstrução e para a reorganização dos serviços públicos.
O novo modelo pretende retirar do Hamas o controle direto da administração e transferir responsabilidades para uma estrutura que não esteja vinculada às facções armadas.
O processo, no entanto, depende da implementação das demais etapas do acordo e ainda enfrenta resistência e desconfiança de diferentes grupos.
Retirada israelense seria gradual
Segundo o texto do acordo divulgado nesta sexta-feira, Israel faria uma retirada progressiva de suas forças.
O movimento estaria condicionado ao avanço do desarmamento e à capacidade da nova administração palestina de assumir o controle de áreas do território.
Uma força internacional de estabilização também teria papel na segurança e na supervisão do processo.
A intenção é evitar um vácuo de segurança durante a saída das tropas israelenses e reduzir o risco de retomada dos confrontos.
Reconstrução de Gaza entra no plano
Além da questão militar, o acordo prevê medidas para a reconstrução da Faixa de Gaza.
A nova administração teria responsabilidade sobre serviços públicos, auditorias financeiras e projetos de recuperação da infraestrutura destruída durante o conflito.
O plano também prevê apoio internacional à reconstrução e reformas na estrutura de governança do território.
A reconstrução, entretanto, dependerá da estabilidade da região e da manutenção do cessar-fogo.
Anúncio é visto com cautela
Apesar da declaração de Trump e da posterior sinalização do Hamas, ainda existem dúvidas sobre a implementação do acordo.
Especialistas e analistas internacionais destacam que o desarmamento de uma organização com estrutura militar, armas e túneis espalhados pelo território é um processo complexo e que pode levar tempo.
Além disso, Israel ainda não confirmou oficialmente sua adesão ao entendimento anunciado pelo presidente norte-americano.
Na prática, o próximo desafio será transformar o compromisso político em ações concretas no território.
O que acontece agora
O cenário passa a depender de novas negociações entre Israel, Hamas, Estados Unidos e os demais mediadores envolvidos.
Se o acordo avançar, as próximas etapas deverão envolver:
- definição dos mecanismos de entrega e armazenamento das armas;
- verificação internacional do desarmamento;
- início da transferência gradual do controle territorial;
- retirada progressiva das tropas israelenses;
- instalação da nova administração palestina;
- ampliação da ajuda humanitária;
- início dos projetos de reconstrução de Gaza.
Por enquanto, a retirada israelense continua condicionada ao que autoridades do país classificam como um “desarmamento genuíno” do Hamas.
A aceitação do plano pelo grupo, entretanto, abre uma nova frente de negociação e pode representar uma das mais importantes tentativas recentes de colocar fim ao conflito e iniciar uma transição política na Faixa de Gaza.
