O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, negou nesta terça-feira (11) que esteja avaliando substituir o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente nas eleições de 2026.

A declaração ocorre em meio à repercussão de acusações que passaram a atingir o parlamentar alagoano poucos dias depois de ele ser anunciado como integrante da chapa presidencial. Flávio afirmou que não pretende alterar a composição e classificou as acusações contra Gaspar como uma “farsa”.

A escolha de Gaspar havia sido anunciada no dia 5 de agosto. O deputado, de 55 anos, é integrante do PL de Alagoas e ganhou projeção nacional durante os trabalhos da comissão parlamentar que investigou fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Flávio sai em defesa do vice

Ao comentar a possibilidade de mudança na chapa, Flávio Bolsonaro rejeitou os rumores e saiu em defesa do deputado alagoano.

Segundo reportagens publicadas nesta terça-feira, o candidato afirmou que as acusações contra Gaspar seriam uma tentativa de atingir politicamente o parlamentar justamente em razão de sua atuação contra supostos desvios no INSS.

Flávio também relacionou o episódio às críticas feitas por Gaspar ao governo federal e à cobrança pela responsabilização de envolvidos nas investigações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas.

A declaração busca encerrar, pelo menos neste momento, as especulações sobre uma eventual alteração na composição da chapa.

Acusações vieram após escolha de Gaspar

Alfredo Gaspar passou a ser alvo de atenção nacional depois que seu nome foi confirmado como vice de Flávio Bolsonaro.

Reportagens informaram que existe uma investigação relacionada a uma acusação de estupro de vulnerável. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal e envolve diligências autorizadas pelo ministro Gilmar Mendes. Gaspar nega a acusação.

A defesa do deputado afirma que ele pretende demonstrar sua inocência por meio de provas e chegou a pedir que a análise de um exame de DNA fosse acelerada. O objetivo, segundo informações divulgadas pela imprensa, é esclarecer a acusação que passou a repercutir nacionalmente após o anúncio da candidatura.

É importante destacar que uma acusação ou investigação não equivale a uma condenação. O caso ainda está em apuração.

Gaspar é peça estratégica para a campanha

A escolha do deputado alagoano para a vice-presidência não ocorreu por acaso. Flávio inicialmente avaliava nomes femininos para compor a chapa, mas dificuldades de articulação política e a existência de candidaturas femininas já consolidadas dentro do PL pesaram na decisão.

Gaspar passou a ser visto como uma alternativa capaz de ampliar a presença da candidatura no Nordeste, região na qual o bolsonarismo historicamente enfrenta maior dificuldade para superar o campo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Reuters destacou que a escolha do alagoano também pode ajudar Flávio a dialogar com eleitores nordestinos e explorar temas como segurança pública e combate à corrupção.

O peso da escolha para Alagoas

Para Alagoas, a presença de Alfredo Gaspar na chapa presidencial transforma o estado em um dos pontos de atenção da disputa nacional.

O deputado já ocupou o cargo de secretário de Segurança Pública de Alagoas e está no Congresso desde 2023. A trajetória ligada à segurança e sua atuação na comissão que investigou fraudes no INSS são elementos que passaram a fazer parte da estratégia de apresentação do candidato a vice.

A composição também dá ao eleitorado alagoano uma posição inédita na disputa: um político do estado passou a integrar uma chapa que concorre diretamente ao Palácio do Planalto.

Isso tende a aumentar a exposição de Alagoas no debate eleitoral e pode levar a campanha de Flávio a intensificar a agenda no Nordeste durante os próximos meses.

Caso aumenta pressão sobre a campanha

A manutenção de Gaspar como vice, anunciada por Flávio nesta terça-feira, não elimina a repercussão política provocada pelas acusações.

A campanha agora deverá administrar dois desafios simultâneos: defender a permanência do deputado na chapa e impedir que o caso desvie o foco das pautas que o PL pretende apresentar na eleição presidencial.

A situação também coloca a campanha diante de uma disputa narrativa. De um lado, aliados de Flávio sustentam que Gaspar está sendo alvo de uma ofensiva política. Do outro, as acusações seguem sendo objeto de apuração e ainda não tiveram uma conclusão judicial definitiva.

Chapa continua sem mudança, diz Flávio

Por enquanto, a posição pública de Flávio Bolsonaro é de que Alfredo Gaspar permanece como candidato a vice-presidente.

O senador confirmou o nome do deputado alagoano no início de agosto, formando uma chapa presidencial composta exclusivamente por integrantes do PL. A escolha foi considerada estratégica diante da dificuldade da campanha em atrair outros partidos para uma aliança mais ampla.

Com a negativa de Flávio sobre uma eventual substituição, o foco agora se volta para o andamento das investigações e para a capacidade da campanha de transformar o episódio em uma disputa política sem antecipar conclusões sobre um caso que ainda está sob análise das autoridades.

O que está confirmado: Flávio Bolsonaro nega a troca de Alfredo Gaspar; o deputado alagoano continua indicado como vice da chapa; Gaspar nega as acusações que são objeto de investigação; e o caso ainda não representa uma condenação contra o parlamentar.