O deputado federal Marx Beltrão voltou a criticar duramente, nesta terça-feira (11), o aumento de 30% para 32% do percentual de etanol anidro misturado à gasolina. A mudança foi imposta aos consumidores por uma decisão do governo federal, conduzida pelo Ministério de Minas e Energia, sem garantias suficientes sobre os efeitos de longo prazo, enquanto motoristas já relatam problemas e prejuízos nas oficinas.
“Quando um dono de posto adultera a gasolina, ele é fiscalizado, multado e pode até ser preso. Quando o governo muda a composição do combustível e coloca em risco o patrimônio de milhões de brasileiros, querem que todos aceitem calados. Essa mistura foi empurrada goela abaixo. O motorista paga caro pela gasolina e agora também está pagando a conta na oficina”, afirmou Marx.
Especialistas alertam que a maior presença de etanol pode acelerar o desgaste de componentes em veículos não preparados para a nova composição, principalmente modelos mais antigos, importados ou movidos exclusivamente a gasolina. Entre os problemas apontados estão corrosão, aumento do consumo, perda de desempenho, dificuldade na partida e falhas em bombas de combustível, bicos injetores, mangueiras, vedações e outras peças do sistema de alimentação.
Os riscos exigem atenção especial em veículos com motores turbo e injeção direta. Proprietários e profissionais do setor de reparação relatam problemas envolvendo bombas de alta e baixa pressão, bicos injetores, velas, sensores e componentes de vedação. Dependendo do modelo, a substituição dessas peças pode custar milhares de reais.
“Não é aceitável colocar uma nova gasolina nas bombas sem testes conclusivos de durabilidade e deixar o cidadão descobrir, no uso diário, se o carro vai suportar. Muitos motoristas já estão sofrendo na pele, com falhas, quebra de peças e despesas inesperadas. Se aparecer o defeito, quem paga a conta? O governo? Não. Mais uma vez, o prejuízo fica para o trabalhador”, criticou o deputado.
Marx Beltrão atua há anos pela revisão da política nacional de combustíveis, pela redução dos preços nas bombas, pelo controle da qualidade e por medidas que diminuam o peso desse custo sobre as famílias e os setores produtivos. Para o parlamentar, combustível não pode ser tratado apenas como fonte de arrecadação, porque interfere diretamente no transporte, na produção, no preço dos alimentos e no custo de vida.
“O brasileiro paga caro por um combustível cuja qualidade está sendo comprometida. O transportador paga caro para levar alimentos e mercadorias, o trabalhador paga caro para se deslocar e toda a economia sofre. Combustível de qualidade e com preço justo precisa ser prioridade nacional, não mais um problema transferido para a população”, destacou Marx.
A adoção da gasolina E32 também enfrenta questionamentos do Ministério Público Federal e preocupação de entidades da indústria automotiva, que defendem testes mais rigorosos. Marx cobra a revisão da medida, a ampliação dos estudos técnicos e garantias de que os consumidores não serão obrigados a arcar com eventuais danos provocados pela nova composição.
“Não somos contra o etanol nem contra os biocombustíveis. Somos contra decisões tomadas sem segurança suficiente, sem transparência e sem respeito ao consumidor. O governo não pode comprometer o desempenho e a durabilidade dos veículos e simplesmente mandar o brasileiro aceitar. O motorista merece combustível bom, preço justo e respeito”, concluiu Marx Beltrão.
