Apesar do crescimento do acesso à internet nos últimos anos, a inclusão digital ainda não alcança plenamente a população brasileira. Um levantamento divulgado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), mostra que apenas cerca de metade dos brasileiros reúne condições de utilizar a internet de forma plena, com acesso, equipamentos adequados e habilidades digitais suficientes para aproveitar os serviços oferecidos no ambiente online.
O estudo evidencia que estar conectado não significa, necessariamente, estar incluído digitalmente. A pesquisa aponta que milhões de brasileiros utilizam a internet exclusivamente pelo telefone celular, enfrentam dificuldades para acessar plataformas governamentais, realizar cursos, buscar vagas de emprego ou utilizar ferramentas mais avançadas, como programas de produtividade, serviços financeiros digitais e recursos de inteligência artificial.
Especialistas explicam que a inclusão digital envolve três pilares principais: acesso à internet de qualidade, disponibilidade de equipamentos adequados — como computadores e tablets — e capacitação para o uso seguro e eficiente das tecnologias. A ausência de qualquer um desses fatores contribui para ampliar desigualdades sociais e econômicas.
O levantamento também revela que as maiores dificuldades estão concentradas entre pessoas de baixa renda, idosos, moradores de áreas rurais e cidadãos com menor escolaridade. Nesses grupos, o acesso à tecnologia ainda depende, em muitos casos, de conexões instáveis e aparelhos com limitações técnicas.
Reflexos em Maceió e Alagoas
Em Alagoas, os desafios da inclusão digital seguem sendo um dos principais obstáculos para a democratização do acesso à educação, aos serviços públicos e ao mercado de trabalho.
Embora Maceió tenha ampliado nos últimos anos a oferta de serviços públicos digitais, como agendamentos online na saúde, matrículas escolares, emissão de documentos e programas voltados ao empreendedorismo, uma parcela significativa da população ainda encontra dificuldades para utilizar essas plataformas.
Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o uso da internet cresceu em Alagoas, principalmente por meio dos smartphones. Entretanto, especialistas alertam que a predominância do celular como único equipamento limita o acesso a cursos profissionalizantes, plataformas educacionais, elaboração de currículos, pesquisas acadêmicas e atividades que exigem computadores.
A situação também impacta pequenos empreendedores, trabalhadores autônomos e artesãos do estado, que dependem cada vez mais das redes sociais e do comércio eletrônico para divulgar produtos e conquistar clientes. Sem qualificação digital, muitos acabam perdendo espaço em um mercado cada vez mais competitivo.
Educação é uma das áreas mais afetadas
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é o impacto da exclusão digital na educação.
Durante e após a pandemia, escolas e universidades passaram a utilizar intensamente plataformas digitais para atividades acadêmicas. No entanto, estudantes sem computador ou internet estável continuam enfrentando dificuldades para acompanhar conteúdos, desenvolver pesquisas e participar de cursos de qualificação.
Em Alagoas, programas estaduais e municipais vêm buscando reduzir essa distância por meio da instalação de laboratórios de informática, oferta de internet nas escolas e projetos de capacitação tecnológica, mas especialistas avaliam que ainda há necessidade de ampliar os investimentos, principalmente nas comunidades mais vulneráveis.
Mercado de trabalho exige habilidades digitais
A transformação digital também alterou o perfil das vagas de emprego.
Hoje, boa parte dos processos seletivos acontece exclusivamente pela internet, desde o cadastro do currículo até entrevistas por videoconferência. Além disso, conhecimentos em ferramentas digitais passaram a ser exigência em diversas profissões, inclusive em atividades tradicionais.
Segundo especialistas, trabalhadores que não dominam recursos básicos de informática acabam encontrando mais dificuldades para ingressar ou permanecer no mercado de trabalho.
Políticas públicas são apontadas como prioridade
Pesquisadores defendem que a inclusão digital seja tratada como política pública permanente. Entre as medidas consideradas prioritárias estão a ampliação da cobertura de internet de alta velocidade, a oferta de cursos gratuitos de informática, a criação de espaços públicos de acesso à tecnologia e programas de incentivo à aquisição de computadores por famílias de baixa renda.
Para especialistas, reduzir a exclusão digital significa ampliar oportunidades de educação, geração de renda, acesso aos serviços públicos e exercício da cidadania.
O estudo reforça que a transformação digital já faz parte da rotina da sociedade e que garantir acesso efetivo à tecnologia tornou-se uma condição indispensável para promover desenvolvimento econômico, inclusão social e redução das desigualdades em todo o país, incluindo estados como Alagoas, onde a conectividade ainda convive com desafios relacionados à infraestrutura e à capacitação da população.
