A situação no Nepal se agravou nesta sexta-feira (28) após autoridades confirmarem que um lago formado pelo bloqueio de um curso d’água na região de Rasuwa, próxima à fronteira com o Tibete, começou a transbordar. O aumento do volume de água elevou novamente o risco de inundações e fez equipes de emergência interromperem temporariamente operações de resgate.
Segundo autoridades locais ouvidas pela Reuters, o nível do rio na região também estava subindo, mas ainda não havia informações precisas sobre a altura alcançada pela água. Moradores e equipes que estavam em áreas de risco foram orientados a se deslocar para locais mais elevados.
O novo alerta ocorre apenas dois dias depois de uma das mais graves enchentes registradas recentemente no país, provocada por um grande fluxo de água, gelo, pedras e lama que atingiu comunidades próximas à fronteira entre Nepal e China.
Lago se formou após bloqueio do rio
O lago que agora ameaça transbordar surgiu depois que uma enorme quantidade de rochas e detritos bloqueou o curso de rios na região montanhosa.
A formação da barreira natural represou a água e criou um reservatório que passou a acumular volume rapidamente. Imagens aéreas divulgadas pelas autoridades mostraram uma grande quantidade de água acumulada atrás da barreira, sem uma saída natural suficiente para escoamento.
O temor das autoridades é que um rompimento repentino provoque uma nova onda de inundação rio abaixo, atingindo áreas que já foram severamente afetadas pela tragédia.
A possibilidade de novos deslizamentos e avalanches também preocupa as equipes que atuam na região.
Operações de resgate foram suspensas
Diante do risco, autoridades nepalesas determinaram a interrupção temporária das operações de resgate no distrito de Rasuwa.
Os voos de helicópteros utilizados para retirar vítimas e levar ajuda humanitária também foram suspensos durante o período de maior risco.
Segundo testemunhas citadas pela Reuters, moradores foram vistos deixando áreas próximas aos rios e subindo para regiões mais altas como medida de precaução.
A decisão dificulta ainda mais o trabalho das equipes de emergência, que já enfrentam estradas destruídas, pontes danificadas e áreas soterradas pela lama.
Número de mortos aumenta
A dimensão da tragédia também continua crescendo.
Dados divulgados nesta sexta-feira indicam que pelo menos 469 pessoas morreram no Nepal em consequência das enchentes e dos deslizamentos provocados pelo desastre.
Quase mil pessoas continuam desaparecidas, enquanto o número de vítimas e desaparecidos pode aumentar à medida que as equipes conseguem chegar a regiões isoladas.
O desastre também atingiu o lado tibetano da fronteira, onde há registros de mortes e desaparecimentos.
O que provocou a tragédia
As primeiras informações apontaram diferentes possibilidades para a origem da enchente. Investigações posteriores, porém, passaram a indicar que um colapso glacial seguido de uma avalanche de gelo e rochas desencadeou o bloqueio do rio e a gigantesca onda de água e detritos.
O fenômeno ocorreu em uma região de alta montanha, onde o derretimento das geleiras e a instabilidade do terreno aumentam a possibilidade de eventos extremos.
Especialistas também vêm alertando que o aquecimento global pode agravar os riscos no Himalaia, onde geleiras estão perdendo massa em ritmo acelerado.
Risco de uma nova onda de inundação
A formação de lagos por bloqueios naturais de rios representa uma ameaça particularmente perigosa.
Quando a água acumulada supera a capacidade da barreira formada por pedras, gelo e sedimentos, o rompimento pode ocorrer de forma repentina. Nesse cenário, uma enorme quantidade de água é liberada de uma só vez, provocando uma inundação de grande velocidade.
Foi justamente esse risco que levou autoridades do Nepal e da China a emitir novos alertas para as populações localizadas próximas aos cursos d’água.
Além do lago em território nepalês, autoridades chinesas também relataram preocupação com outro reservatório formado próximo à fronteira, aumentando o temor de novos episódios de inundação.
Resgates enfrentam cenário de destruição
O trabalho das equipes de emergência ocorre em condições extremamente difíceis.
Pontes foram destruídas, estradas ficaram bloqueadas e comunidades inteiras foram atingidas pela lama e pelos detritos.
Segundo a Associated Press, mais de 3,2 mil pessoas já foram retiradas das áreas afetadas por operações aéreas, enquanto equipes continuam procurando sobreviventes e desaparecidos.
Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros que estavam na região para atividades turísticas, peregrinações ou trabalho.
Alerta permanece ativo
Mesmo com a redução das operações de resgate em alguns pontos, as autoridades ainda consideram a situação de emergência.
A possibilidade de novos deslizamentos, rompimentos de barreiras naturais e aumento do nível dos rios mantém comunidades em estado de alerta.
A orientação principal é evitar as margens dos rios e procurar locais elevados diante de qualquer sinal de aumento repentino do nível da água.
Repercussão internacional
A dimensão da tragédia provocou mobilização internacional e chamou atenção para a vulnerabilidade das regiões montanhosas do Himalaia.
Além das perdas humanas, o desastre provocou danos significativos a estradas, pontes, comunidades, instalações de geração de energia e outras estruturas essenciais.
Organizações humanitárias também começaram a ampliar a assistência às áreas afetadas, enquanto governos estrangeiros buscam informações sobre cidadãos desaparecidos.
Alagoas Alerta
Embora o desastre esteja concentrado no Himalaia, a tragédia no Nepal também chama atenção para os riscos associados a eventos climáticos extremos, deslizamentos e enchentes repentinas.
Em Alagoas, episódios de chuvas intensas e elevação rápida de rios já exigiram, em diferentes momentos, ações de prevenção e retirada de famílias de áreas vulneráveis. O cenário do Nepal reforça a importância do monitoramento permanente, dos sistemas de alerta e da ocupação segura de áreas próximas a rios e encostas.
No Nepal, entretanto, o risco imediato permanece elevado: um lago formado após o bloqueio de rios começou a transbordar, enquanto o nível da água continua subindo.
As autoridades temem que uma nova onda de inundação atinja áreas que ainda tentam se recuperar da devastação provocada pela primeira enchente.
