O governo do Nepal decidiu não aceitar, neste momento, equipes estrangeiras especializadas em operações de busca e resgate após as enchentes repentinas que atingiram áreas próximas à fronteira com a China. A decisão foi comunicada pelo Ministério das Relações Exteriores do país nesta sexta-feira (28).
Segundo as autoridades nepalesas, as forças de segurança nacionais possuem capacidade para conduzir as operações e, por enquanto, não há necessidade de equipes internacionais de resgate.
A decisão ocorre em meio a uma das maiores tragédias naturais recentes na região. As enchentes e deslizamentos atingiram principalmente o distrito de Rasuwa, no Nepal, próximo ao Tibete chinês, deixando centenas de mortos e um número ainda maior de desaparecidos.
A agência Reuters informou que países como Coreia do Sul, Índia, China, Estados Unidos e outras nações ofereceram assistência para as operações. O governo nepalês, entretanto, afirmou que os órgãos nacionais de segurança estão coordenando adequadamente os trabalhos.
Nepal não rejeita ajuda internacional
Apesar da decisão de não receber equipes estrangeiras de busca e salvamento, o governo do Nepal não fechou as portas para a assistência internacional.
Países e organizações estrangeiras têm oferecido dinheiro, equipamentos, suprimentos médicos e outros recursos para auxiliar as vítimas. O governo também orientou suas missões diplomáticas a encaminhar contribuições estrangeiras por meio do fundo de ajuda criado pelo primeiro-ministro.
A Coreia do Sul, por exemplo, informou que continua negociando com o governo nepalês. O país possui cidadãos desaparecidos na região e anunciou uma contribuição de US$ 1 milhão em ajuda humanitária.
Os Estados Unidos também anunciaram US$ 500 mil em assistência, além do envio de um assessor especializado em resposta a desastres. Segundo o Departamento de Estado americano, os recursos serão destinados a abrigos emergenciais e ações relacionadas a água, saneamento e higiene.
A Organização das Nações Unidas também mobilizou recursos para a região. O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, anunciou US$ 2 milhões em assistência, incluindo água, kits médicos e abrigos de emergência.
Tragédia deixou centenas de mortos
O número de vítimas aumentou rapidamente desde a ocorrência da enchente. Segundo informações mais recentes divulgadas pela Associated Press, o Nepal contabilizava 579 mortes, enquanto a China registrava outras cinco vítimas no lado tibetano da fronteira.
Quase 2 mil pessoas permaneciam desaparecidas na atualização mais recente, embora os números ainda possam sofrer alterações conforme as equipes conseguem acessar áreas isoladas. Mais de 3,7 mil pessoas já haviam sido resgatadas no Nepal.
O desastre atingiu uma área de difícil acesso, onde estradas e pontes foram destruídas pela força da água e da lama. Helicópteros do Exército nepalês estão sendo utilizados para retirar sobreviventes e transportar suprimentos.
O Ministério das Relações Exteriores do Nepal criou ainda uma central de emergência específica para auxiliar na localização de estrangeiros desaparecidos e no contato com familiares e representações diplomáticas.
Risco de novas inundações preocupa autoridades
As operações de resgate também enfrentam o risco de novos episódios de inundação.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, o desastre está relacionado ao colapso de uma geleira e ao deslocamento de grandes volumes de água, lama e detritos pela região montanhosa.
A formação de áreas represadas e lagos próximos à fronteira entre Nepal e China aumentou a preocupação das autoridades com a possibilidade de novas ondas de inundação.
Por causa do risco, operações chegaram a ser temporariamente interrompidas em algumas áreas até que as condições fossem consideradas seguras para os socorristas.
Estrangeiros estão entre desaparecidos
A tragédia atingiu também turistas, peregrinos e trabalhadores estrangeiros que estavam na região.
Entre os desaparecidos há cidadãos de países como Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Coreia do Sul, Malásia, Canadá e outros.
O Conselho de Turismo do Nepal informou anteriormente que pelo menos 27 turistas estrangeiros haviam sido resgatados, incluindo indianos, sul-coreanos, americanos e italianos.
A situação levou governos estrangeiros a pressionarem por informações sobre seus cidadãos e a oferecerem apoio às autoridades nepalesas.
Por que o Nepal recusou equipes estrangeiras?
O governo nepalês afirma que a decisão é operacional: as forças nacionais já estão mobilizadas e têm condições de conduzir as buscas.
A negativa, porém, gerou questionamentos diante da dimensão da tragédia e do elevado número de desaparecidos.
A localização da região afetada, próxima à fronteira com o Tibete, também chamou atenção. Analistas citados pela imprensa internacional levantaram a possibilidade de que questões geopolíticas possam influenciar a postura de Katmandu, mas o governo do Nepal não apresentou essa razão como justificativa oficial.
A explicação apresentada pelas autoridades é de que o país dispõe, neste momento, dos recursos necessários para conduzir as operações de busca e salvamento.
Nepal mantém canal para estrangeiros
O Ministério das Relações Exteriores nepalês criou uma central de emergência para receber informações sobre estrangeiros afetados pela enchente, desaparecidos ou que necessitem de assistência consular.
O governo também pediu que familiares e representações diplomáticas evitem compartilhar informações não verificadas e utilizem os canais oficiais para confirmar dados sobre vítimas e desaparecidos.
A prioridade das autoridades continua sendo localizar sobreviventes, retirar pessoas de áreas isoladas e levar assistência às comunidades atingidas.
