A corrida presidencial de 2026 começa a colocar no centro do debate uma disputa que vai além do confronto direto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Enquanto o presidente endurece o discurso contra o modelo de distribuição das emendas parlamentares, o senador amplia os ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes.
Os movimentos ocorrem em um momento de crescente polarização entre os dois principais nomes da disputa. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta semana aponta Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Em uma simulação de segundo turno, o petista aparece numericamente à frente, mas dentro da margem de erro.
A estratégia dos dois candidatos revela diferentes frentes de enfrentamento institucional. Lula procura transformar as emendas parlamentares em uma discussão sobre orçamento, transparência e equilíbrio entre os Poderes. Flávio, por sua vez, tenta fazer do STF um dos principais alvos de sua campanha, explorando temas que mobilizam o eleitorado bolsonarista.
Lula aumenta o tom contra as emendas
O presidente tem sinalizado que pretende discutir mudanças no atual sistema de emendas parlamentares. A ofensiva ocorre em meio à relação historicamente delicada entre o Palácio do Planalto e o Congresso, sobretudo em torno do controle sobre recursos do Orçamento.
A questão das emendas ganhou ainda mais peso nos últimos anos após decisões do STF cobrarem critérios de transparência e rastreabilidade para a aplicação dos recursos. O tema passou a representar uma das principais áreas de tensão entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Em ano eleitoral, a discussão assume dimensão adicional. Para Lula, questionar a forma como o dinheiro público é distribuído pelo Congresso permite apresentar ao eleitor uma agenda de maior controle sobre o orçamento federal.
A estratégia também ocorre enquanto o Congresso retoma votações em ritmo acelerado antes da campanha eleitoral. Deputados e senadores têm uma série de pautas para analisar durante o chamado esforço concentrado.
Flávio transforma STF em alvo eleitoral
Do outro lado, Flávio Bolsonaro vem reforçando a crítica ao Supremo como uma das marcas de sua candidatura. O senador busca mobilizar a base conservadora a partir de temas relacionados às decisões da Corte e, principalmente, às ações do ministro Alexandre de Moraes.
A ofensiva pretende manter no debate nacional uma das principais bandeiras do bolsonarismo: a acusação de que o STF teria ampliado sua atuação sobre questões que, na avaliação de seus críticos, deveriam ser resolvidas pelo Congresso.
Flávio tem ampliado essa agenda enquanto tenta consolidar sua candidatura para além do núcleo mais fiel ao bolsonarismo. A escolha do deputado alagoano Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente também faz parte do esforço para ampliar a presença da chapa em diferentes regiões e setores do eleitorado.
O senador também prepara atos de campanha para os próximos dias. O primeiro grande evento está previsto para domingo (16), na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, com participação de candidatos e aliados do PL.
Disputa passa pelos três Poderes
A aproximação da campanha oficial faz com que questões institucionais assumam cada vez mais espaço no discurso dos candidatos.
Lula procura se posicionar diante do Congresso a partir da discussão sobre o controle das emendas e do orçamento. Flávio, por outro lado, aposta na insatisfação de sua base com o Supremo e apresenta a defesa de maior autonomia do Legislativo como uma das bandeiras da candidatura.
A disputa ocorre em um ambiente no qual os dois candidatos aparecem próximos nas pesquisas. No levantamento BTG/Nexus divulgado na segunda-feira (10), Lula tinha 40% no primeiro turno, contra 35% de Flávio. Em eventual segundo turno, o petista aparecia com 47%, ante 44% do senador — diferença que permanecia dentro da margem de erro.
Nordeste segue como território estratégico
Para Flávio Bolsonaro, a ampliação da campanha para além do eixo Sul-Sudeste será um dos desafios da eleição. A escolha de Alfredo Gaspar para a vice-presidência tem peso nesse contexto, já que o deputado é de Alagoas e possui trajetória ligada à segurança pública no estado.
A chapa tenta, dessa forma, criar pontes com o eleitorado nordestino, historicamente mais favorável a Lula. A região continua sendo um dos principais pilares eleitorais do presidente, embora pesquisas recentes também apontem avanços de Flávio em determinados segmentos e áreas do país.
Com a campanha se aproximando, a tendência é que os dois candidatos aprofundem discursos distintos sobre o funcionamento das instituições. Lula deve manter a pressão sobre a relação entre Congresso e orçamento, enquanto Flávio tende a ampliar a ofensiva contra o STF.
O resultado é uma eleição que começa a ser disputada não apenas por propostas de governo, mas também pela narrativa sobre quem deve ter mais poder em Brasília: Executivo, Congresso ou Supremo Tribunal Federal.
