A alta no preço da cesta básica voltou a preocupar consumidores brasileiros em junho. Levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que o custo dos alimentos essenciais aumentou em 17 das capitais pesquisadas, mantendo a pressão sobre o orçamento das famílias e evidenciando que a inflação dos alimentos continua sendo um dos principais desafios para o consumidor brasileiro.

Em meio ao cenário nacional, Maceió permanece entre as capitais com o menor custo da cesta básica do país. Nos levantamentos mais recentes do Dieese, a capital alagoana aparece entre as três cestas mais baratas do Brasil, atrás apenas de Aracaju (SE) e São Luís (MA). Em abril, por exemplo, o conjunto de alimentos essenciais custou, em média, R$ 652,94, colocando Maceió na 3ª posição entre as capitais com menor valor da cesta básica.

Apesar da posição favorável no ranking nacional, especialistas alertam que isso não significa que o custo da alimentação esteja baixo para a realidade da população maceioense. O impacto dos reajustes continua sendo sentido principalmente pelas famílias de menor renda, que comprometem uma parcela significativa do orçamento mensal com alimentação.

Custo menor não significa alívio no bolso

Economistas explicam que o ranking do Dieese compara apenas o valor da cesta entre as capitais pesquisadas. Na prática, o poder de compra depende também da renda da população, do custo da moradia, do transporte e de outras despesas essenciais.

Em Maceió, onde grande parte dos trabalhadores recebe até dois salários mínimos, qualquer aumento em produtos como carne, café, leite, tomate e pão influencia diretamente o orçamento doméstico. Muitos consumidores acabam substituindo marcas, reduzindo quantidades ou intensificando a pesquisa de preços para equilibrar as contas.

Produtos continuam pressionando a inflação

Segundo o Dieese, alimentos como carne bovina, café e tomate seguem entre os principais responsáveis pelas oscilações da cesta básica em diversas capitais. As variações são influenciadas por fatores como condições climáticas, custos de produção, transporte e oferta dos produtos no mercado.

Mesmo quando a cesta de Maceió permanece entre as mais baratas do país, esses fatores nacionais acabam chegando às prateleiras dos supermercados da capital, já que muitos produtos consumidos em Alagoas são distribuídos por fornecedores de outras regiões.

Comércio acompanha comportamento do consumidor

O cenário também é acompanhado de perto pelo setor supermercadista. Com consumidores mais atentos aos preços, cresce a procura por promoções, marcas próprias, embalagens econômicas e compras em atacarejos.

Outra estratégia adotada por muitas famílias é pesquisar valores em diferentes estabelecimentos antes de concluir as compras. Levantamentos periódicos realizados pelo Procon Maceió mostram que um mesmo produto pode apresentar diferenças significativas de preço entre supermercados da cidade, permitindo economia para quem pesquisa antes de comprar.

Salário mínimo continua insuficiente

Além de acompanhar o preço dos alimentos, o Dieese calcula mensalmente o salário mínimo necessário para suprir as despesas básicas de uma família com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência. O valor estimado pela entidade permanece muito acima do salário mínimo oficial, indicando que milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades para manter o orçamento equilibrado.

Perspectiva para os próximos meses

Especialistas avaliam que o comportamento da cesta básica dependerá da produção agrícola, das condições climáticas e dos custos logísticos. Caso haja maior oferta de alimentos, alguns preços podem apresentar estabilidade ou recuo. Por outro lado, novos aumentos nos custos de produção ou transporte podem manter a pressão sobre os supermercados.

Enquanto isso, para os consumidores de Maceió, a recomendação continua sendo acompanhar promoções, comparar preços e planejar as compras. Mesmo ocupando uma posição privilegiada no ranking nacional do Dieese, a capital alagoana ainda enfrenta os reflexos da inflação alimentar, que continua afetando o poder de compra das famílias.