A morte de uma recém-nascida de apenas 18 dias, em São Miguel dos Campos, reacendeu o alerta das autoridades de saúde sobre o avanço da chikungunya em Alagoas. A bebê morreu na última quarta-feira (8), após apresentar falência múltipla de órgãos, e a principal suspeita é de que tenha contraído o vírus ainda durante a gestação, já que a mãe foi diagnosticada com a doença enquanto estava grávida. O caso segue em investigação para confirmação da causa da morte.

Se a suspeita for confirmada, este será o terceiro óbito relacionado à chikungunya registrado em São Miguel dos Campos em pouco mais de um mês. Anteriormente, uma mulher de 60 anos e sua filha adulta morreram após complicações associadas à doença, aumentando a preocupação das autoridades sanitárias com a situação epidemiológica no município.

Investigação sobre transmissão durante a gestação

Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, a mãe da bebê apresentou diagnóstico de chikungunya durante a gravidez. Especialistas explicam que, quando a infecção ocorre próximo ao parto, existe a possibilidade de transmissão do vírus para o recém-nascido, condição conhecida como transmissão perinatal, que pode evoluir para quadros graves e exigir cuidados intensivos.

A criança nasceu em uma unidade hospitalar da rede privada e permaneceu internada por 18 dias. A confirmação da causa da morte depende da conclusão dos exames e da investigação conduzida pelos órgãos de saúde.

Município reforça ações de combate ao mosquito

Diante dos casos registrados, a Prefeitura de São Miguel dos Campos informou que intensificou as medidas de enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya, dengue e zika.

Entre as ações adotadas estão visitas domiciliares, eliminação de criadouros, aplicação de larvicidas em áreas estratégicas, recolhimento de recipientes que acumulam água e campanhas de conscientização voltadas à população. A orientação é que os moradores mantenham caixas d'água fechadas, limpem calhas e eliminem qualquer local que possa servir para a reprodução do mosquito.

Cenário preocupa autoridades em Alagoas

Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) apontam que Alagoas contabiliza centenas de casos prováveis de chikungunya em 2026. Os registros reforçam a necessidade de vigilância contínua, principalmente durante os períodos de maior circulação do mosquito transmissor.

Especialistas alertam que, embora a maioria dos pacientes apresente recuperação, a doença pode provocar complicações graves em recém-nascidos, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, exigindo diagnóstico e acompanhamento médico precoces.

O que o caso representa para Alagoas

A sequência de mortes em São Miguel dos Campos evidencia a importância de fortalecer as ações de prevenção às arboviroses em todo o estado. Para especialistas em saúde pública, episódios como este reforçam a necessidade de investimentos permanentes em vigilância epidemiológica, controle do mosquito e orientação da população.

A Sesau e os municípios alagoanos continuam monitorando os casos e recomendam que qualquer pessoa com sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações, manchas pelo corpo ou mal-estar procure uma unidade de saúde para avaliação médica. Gestantes devem receber atendimento imediato ao apresentarem sinais compatíveis com a doença, reduzindo o risco de complicações para a mãe e o bebê.