O Novo Desenrola Brasil já renegociou R$ 26,8 bilhões em dívidas de famílias brasileiras desde o início da segunda fase do programa, em 4 de maio. Segundo dados do Ministério da Fazenda, foram realizadas 5,12 milhões de operações até 27 de agosto.

O programa entra na reta final neste domingo (30) e tem encerramento previsto para esta segunda-feira (31). De acordo com o governo federal, não há previsão de uma nova prorrogação do prazo.

A iniciativa foi criada para facilitar a regularização de dívidas de pessoas físicas e permitir que famílias com renda de até cinco salários mínimos tenham acesso a condições especiais para reorganizar a vida financeira.

Quem pode participar

Podem participar pessoas com renda mensal de até R$ 8.105, equivalente a cinco salários mínimos.

Também é necessário que a dívida tenha sido contratada até 31 de janeiro de 2026 e esteja em atraso há pelo menos 91 dias e, no máximo, dois anos.

Entre os débitos que podem ser incluídos estão dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.

As condições oferecidas incluem descontos que podem chegar a 90% sobre o valor da dívida, além de juros de até 1,99% ao mês nos contratos de renegociação.

O prazo para pagamento pode chegar a 48 meses.

Renegociação é feita diretamente com os bancos

Diferentemente da primeira versão do Desenrola Brasil, o novo programa não exige uma plataforma centralizada para a negociação.

O consumidor interessado deve procurar diretamente o banco ou a instituição financeira onde possui a dívida, utilizando os aplicativos, sites ou demais canais oficiais disponibilizados pela instituição.

O governo orienta que o consumidor confirme as condições da operação antes de concluir a renegociação e utilize exclusivamente os canais oficiais para evitar golpes.

FGTS também pode ser utilizado

Outra possibilidade prevista no programa é o uso de parte do saldo disponível no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar na quitação ou amortização da dívida.

Pelas regras, o trabalhador pode utilizar o valor que for maior entre R$ 1 mil ou 20% do saldo disponível no FGTS, observadas as condições estabelecidas para a operação.

A utilização depende da autorização do trabalhador e dos procedimentos adotados pela instituição financeira.

Programa chega ao fim em meio à preocupação com inadimplência

O desempenho do Novo Desenrola ocorre em um cenário de elevada preocupação com o endividamento das famílias brasileiras.

Dados do Banco Central citados pelo R7 mostram que a taxa média de inadimplência nas operações de crédito dos bancos passou de 4,6% em junho para 4,9% em julho. O índice é o maior da série histórica revisada da autoridade monetária, iniciada em março de 2011.

Apesar do volume expressivo de renegociações, especialistas e entidades do setor bancário avaliam que ainda é cedo para afirmar que o programa será suficiente para alterar de forma significativa a trajetória da inadimplência no país.

A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) considera que a negociação direta pelos canais das instituições financeiras tornou o processo mais simples e acessível, mas demonstra cautela diante do cenário geral do mercado de crédito.

Prazo termina nesta segunda-feira

Para as famílias que se enquadram nas regras, a recomendação é procurar a instituição financeira responsável pela dívida antes do encerramento do programa.

O serviço é gratuito e permanece disponível até 31 de agosto de 2026, conforme informações do Ministério da Fazenda.

A medida provisória que criou o Novo Desenrola Brasil estabelece como objetivo a recomposição da capacidade financeira das famílias por meio da renegociação e regularização de dívidas em atraso junto ao sistema financeiro.