O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, voltou a defender neste domingo (9) a segurança e a credibilidade do sistema eletrônico de votação brasileiro. Durante a Corrida pela Democracia, em Brasília, o ministro afirmou que desacreditar as urnas eletrônicas pode acabar afastando o eleitor das eleições.
A declaração ocorre a menos de dois meses do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, e em meio à intensificação das ações da Justiça Eleitoral para explicar o funcionamento das urnas e combater a desinformação.
Segundo Nunes Marques, colocar em dúvida a confiabilidade do sistema sem apresentar evidências pode produzir um efeito que ultrapassa a discussão política: fazer com que o cidadão deixe de participar da votação.
A manifestação ganha repercussão em Alagoas, onde a Justiça Eleitoral já iniciou os procedimentos específicos de preparação para o pleito e criou uma comissão destinada a acompanhar a auditoria da votação eletrônica.
TRE-AL cria comissão para auditar urnas
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) instituiu a Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica (CAVE) para as eleições deste ano.
A comissão será responsável por coordenar os procedimentos de auditoria previstos para o pleito, incluindo testes realizados simultaneamente à votação oficial. O objetivo é permitir a comparação dos resultados e demonstrar o funcionamento correto das urnas.
A criação da CAVE coloca Alagoas dentro da estrutura nacional de fiscalização do sistema eletrônico e reforça um dos principais argumentos apresentados pelo TSE: a votação não depende apenas de confiança institucional, mas conta com mecanismos específicos de verificação e auditoria.
A resolução que instituiu a comissão no estado também definiu sua composição e atribuições para as Eleições Gerais de 2026.
O que Nunes Marques disse
Durante o evento em Brasília, o presidente do TSE afirmou que o sistema eletrônico de votação precisa ser defendido para que o eleitor se sinta seguro para participar.
A fala ocorreu no encerramento da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, iniciativa que levou a diferentes estados ações destinadas a mostrar ao público como as urnas funcionam e quais mecanismos de segurança e fiscalização existem.
A mensagem central do ministro foi que críticas e questionamentos fazem parte da democracia, mas a disseminação de informações sem comprovação sobre supostas fraudes pode prejudicar a participação eleitoral.
“Maior festa da democracia”
Nunes Marques classificou a eleição como a “maior festa democrática” do país e defendeu que o eleitor não seja afastado das urnas por informações que coloquem em dúvida o processo eleitoral sem apresentar evidências.
A declaração repercutiu nacionalmente neste domingo e ocorre em um ambiente político no qual a segurança das urnas voltou a ser tema frequente do debate público.
O assunto também ganhou novo impulso após manifestações de políticos que voltaram a questionar aspectos do sistema eletrônico de votação, o que levou o TSE a reforçar a comunicação sobre mecanismos de fiscalização e segurança.
E o que isso significa para o eleitor de Alagoas?
Para o eleitor alagoano, a discussão não está distante.
O TRE-AL já trabalha na preparação das eleições e estabeleceu procedimentos próprios para a auditoria das urnas que serão utilizadas no estado.
Isso significa que, antes e durante o processo eleitoral, existem etapas destinadas a verificar se os equipamentos e sistemas estão funcionando conforme os procedimentos estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
A auditoria também permite que representantes e instituições acompanhem procedimentos de fiscalização previstos nas normas eleitorais.
Biometria também entra nos testes
Entre os procedimentos previstos para as eleições deste ano em Alagoas estão testes envolvendo a biometria real dos eleitores.
A iniciativa faz parte da preparação da Justiça Eleitoral para verificar procedimentos de votação e auditoria e ampliar a demonstração prática de como o sistema funciona.
O uso da biometria é uma das etapas que ajudam a confirmar a identidade do eleitor antes da liberação da votação.
Segurança não depende de uma única etapa
Um dos pontos enfatizados pela Justiça Eleitoral é que a segurança do processo não está concentrada em uma única tecnologia ou em um único momento.
Existem diferentes etapas de preparação, fiscalização, testes e auditoria.
O TSE também promove atividades de demonstração pública das urnas. Neste mês, por exemplo, a Corte organizou uma iniciativa inédita para desmontar uma urna eletrônica ao vivo em uma transmissão conjunta com TVs públicas, canais legislativos e Tribunais Regionais Eleitorais.
A intenção é tornar mais acessível ao público o conhecimento sobre os componentes e mecanismos utilizados no equipamento.
O eleitor pode fiscalizar?
Sim.
A Justiça Eleitoral possui mecanismos que permitem o acompanhamento e a fiscalização de diferentes etapas do processo eleitoral.
Os procedimentos de auditoria são justamente uma das ferramentas utilizadas para conferir se os resultados registrados nas urnas correspondem à votação realizada.
Em Alagoas, a CAVE criada pelo TRE-AL será responsável por coordenar parte dessas atividades durante as eleições de 2026.
Por isso, a orientação é que o eleitor interessado em conhecer o funcionamento do sistema procure os canais oficiais da Justiça Eleitoral, em vez de se basear exclusivamente em vídeos, áudios ou mensagens compartilhadas em redes sociais.
Fake news e inteligência artificial preocupam Justiça Eleitoral
A preocupação com a credibilidade das urnas acontece em paralelo a outro desafio das eleições de 2026: o avanço da inteligência artificial e dos conteúdos manipulados digitalmente.
Vídeos, áudios e imagens podem ser produzidos ou modificados artificialmente com elevado grau de realismo, aumentando o risco de circulação de informações falsas durante a campanha.
Nesse cenário, a Justiça Eleitoral ampliou ações voltadas à transparência e ao combate à desinformação.
Para o eleitor, uma das principais recomendações é verificar a origem da informação antes de compartilhá-la.
Como o alagoano pode se proteger de informações falsas
Com a aproximação da eleição, conteúdos relacionados às urnas e à votação tendem a circular com maior intensidade em redes sociais e aplicativos de mensagens.
Alguns cuidados são importantes:
• verificar se a informação veio de fonte oficial;
• procurar a mesma informação em veículos jornalísticos confiáveis;
• desconfiar de vídeos sem contexto ou com cortes;
• não compartilhar mensagens cuja origem não possa ser confirmada;
• consultar o TSE ou o TRE-AL em caso de dúvida;
• diferenciar opinião política de informação factual.
Uma mensagem dizendo que “a urna foi fraudada”, por exemplo, não constitui prova de fraude simplesmente porque foi compartilhada por muitas pessoas.
Por que o TSE está reforçando o discurso agora?
O momento é estratégico.
As eleições de 2026 se aproximam e a Justiça Eleitoral está entrando em uma fase de maior exposição pública dos procedimentos que envolvem votação, auditoria e fiscalização.
A Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, realizada entre 3 e 9 de agosto, foi uma das iniciativas utilizadas para aproximar a população das urnas e explicar como o sistema funciona.
A estratégia também busca evitar que informações falsas ganhem espaço justamente no período em que o eleitor começa a definir suas escolhas.
O calendário eleitoral já está em andamento
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026.
Os brasileiros irão às urnas para escolher:
- presidente da República;
- governador;
- dois senadores por estado;
- deputados federais;
- deputados estaduais ou distritais.
Caso haja segundo turno para presidente ou governador, a votação ocorrerá em 25 de outubro.
Em Alagoas, portanto, o eleitor terá uma série de escolhas nas urnas, e a estrutura eleitoral já está sendo preparada para atender à votação.
Repercussão política
A declaração de Nunes Marques repercutiu em veículos nacionais e ocorreu em meio à retomada de questionamentos sobre o sistema eleitoral.
A fala foi interpretada como mais um movimento do TSE para reforçar a confiança no processo eletrônico justamente no período que antecede a campanha eleitoral.
Ao mesmo tempo, a manifestação reacende uma discussão que acompanha o processo eleitoral brasileiro há anos: como garantir liberdade para questionar e fiscalizar as eleições sem transformar alegações sem provas em informações apresentadas como fatos?
A Justiça Eleitoral sustenta que transparência e fiscalização são justamente os caminhos para responder a dúvidas.
O que está em jogo para Alagoas
Para os alagoanos, o debate tem uma consequência prática.
O eleitor precisa chegar ao dia 4 de outubro sabendo onde votar, quem são os candidatos e como funciona o processo, mas também precisa conseguir distinguir informações verificadas de conteúdos falsos.
Enquanto o TSE amplia as ações nacionais de transparência, o TRE-AL já colocou em funcionamento sua estrutura específica de auditoria para as eleições.
A criação da CAVE mostra que a discussão sobre segurança das urnas não ficará apenas no discurso nacional: Alagoas terá seus próprios procedimentos de fiscalização e auditoria durante o pleito.
O recado da Justiça Eleitoral
A declaração de Nunes Marques resume a preocupação do TSE às vésperas de mais uma eleição: a confiança do eleitor é parte essencial da democracia.
Questionar o processo, fiscalizar e cobrar explicações são direitos do cidadão.
O desafio está em fazer isso com base em informações verificáveis.
Em Alagoas, enquanto a Justiça Eleitoral avança nos testes e na organização das auditorias, o eleitor também terá uma responsabilidade: buscar informação confiável antes de acreditar ou compartilhar conteúdos sobre as urnas e o processo eleitoral.
A eleição de 2026 ainda não começou, mas a disputa pela informação — e pela confiança do eleitor — já está em curso.
