A descoberta de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, aumentou as expectativas da Petrobras em relação ao potencial da Margem Equatorial brasileira. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que o resultado indica a existência de um sistema petrolífero ativo na região e pode abrir caminho para uma nova província de produção.
Apesar do otimismo, a executiva ressaltou que ainda é cedo para determinar o tamanho da descoberta ou afirmar que ela possui viabilidade comercial. A Petrobras continua a perfuração do poço para obter informações mais precisas sobre a quantidade e as características do óleo encontrado.
“É uma descoberta, mas ainda não é uma descoberta comercial”, afirmou Magda em entrevista ao jornal O Globo. Segundo ela, a avaliação continuará até que o poço seja concluído.
Descoberta fica na costa do Amapá
O poço Morpho está localizado no bloco FZA-M-59, a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma área com lâmina d'água de cerca de 2.886 metros.
A Petrobras identificou a presença de hidrocarbonetos por meio de perfis elétricos e outros indicadores encontrados nas rochas durante a perfuração. A companhia é operadora do bloco e possui 100% de participação na área.
A perfuração ainda está em andamento. A expectativa da Petrobras é concluir os trabalhos entre o fim de agosto e o início de setembro, quando deverá haver mais informações para dimensionar a descoberta.
'Esquenta' áreas próximas, diz presidente
Para Magda Chambriard, o resultado obtido no Morpho aumenta o interesse pelas áreas próximas e reforça a possibilidade de a Margem Equatorial se consolidar como uma nova fronteira de exploração de petróleo no país.
A presidente da Petrobras avalia que, caso as próximas etapas confirmem o potencial esperado, a região poderá contribuir para a reposição das reservas brasileiras no período posterior ao pico de produção do pré-sal.
A avaliação ganha importância diante da estratégia da estatal de ampliar seu portfólio exploratório e buscar novas reservas para garantir a produção de petróleo e gás no longo prazo.
Petrobras quer perfurar mais três poços
Além do Morpho, a Petrobras prevê a perfuração de outros três poços no bloco FZA-M-59. Os pedidos de licenciamento ambiental já foram apresentados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que ainda analisa as autorizações.
A estatal não recebeu, até o momento, uma previsão para a conclusão da análise dos novos pedidos. Magda Chambriard afirmou, porém, esperar que as licenças sejam concedidas para que a campanha exploratória possa avançar.
Margem Equatorial é aposta para novas reservas
A Margem Equatorial reúne áreas marítimas que se estendem do litoral do Rio Grande do Norte até o Amapá e é considerada uma das principais fronteiras exploratórias do país.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que havia 51 blocos sob contrato na Margem Equatorial, somando cerca de 36,5 mil quilômetros quadrados de área contratada, conforme levantamento divulgado em março de 2026.
O interesse na região também está relacionado às descobertas realizadas em áreas próximas, especialmente na Guiana e no Suriname, que possuem características geológicas semelhantes.
Descoberta ainda não significa início da produção
Apesar da repercussão do anúncio, especialistas destacam que a identificação de hidrocarbonetos é apenas uma das primeiras etapas do processo.
A Petrobras ainda precisa concluir a perfuração, realizar testes, estimar o volume recuperável e avaliar a viabilidade econômica da área. Só depois dessas etapas será possível saber se o poço poderá resultar em uma futura operação comercial.
A descoberta, no entanto, já é considerada relevante para a estratégia de longo prazo da companhia por confirmar a presença de um sistema petrolífero ativo na região.
