A Polícia Federal (PF) identificou elementos que, na avaliação dos investigadores, indicavam risco de fuga do publicitário Thiago Miranda, investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras, intimidação de jornalistas e ataques contra instituições ligados ao chamado Caso Master.
As informações constam de manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), na qual a PF pediu medidas cautelares para impedir que o investigado deixasse o país. O pedido foi acolhido pelo ministro André Mendonça, que determinou, entre outras medidas, a apreensão do passaporte e a proibição de saída do território nacional.
Segundo a investigação, um dos fatores considerados foi a troca frequente de números de telefone após o avanço das apurações envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao caso. Para a PF, essa conduta poderia dificultar o rastreamento de comunicações consideradas relevantes para o inquérito. Outro ponto destacado foi o encerramento das atividades da empresa de comunicação vinculada a Miranda poucos dias antes da operação policial, fato que também passou a ser analisado pelos investigadores.
Além disso, a Polícia Federal informou ao STF que Thiago Miranda tinha uma viagem para Miami, nos Estados Unidos, prevista para a próxima segunda-feira (13). Na avaliação da corporação, a combinação desses fatores reforçava o risco de evasão do país durante as investigações.
Operação e investigação
Na fase mais recente da Operação Compliance Zero, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao publicitário. Conforme a investigação, ele é apontado como um dos articuladores de ações que teriam como objetivo pressionar, intimidar e atacar jornalistas, autoridades e instituições relacionadas ao Caso Master.
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores relataram que o celular utilizado por Miranda teria sido desligado logo após a chegada das equipes policiais, circunstância que também foi registrada nos autos da investigação. O material apreendido será submetido à perícia para subsidiar o andamento do inquérito.
Defesa contesta acusações
Em nota, a defesa de Thiago Miranda afirmou que o empresário sempre colaborou com as autoridades e compareceu aos atos para os quais foi convocado. Os advogados negam qualquer prática ilícita e sustentam que as suspeitas serão esclarecidas ao longo da investigação, defendendo que não há elementos que justifiquem a conclusão de que ele pretendia fugir do país.
O que é o Caso Master
A Operação Compliance Zero investiga um conjunto de suspeitas envolvendo fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção e outros crimes relacionados ao Banco Master e pessoas ligadas ao grupo econômico. O caso tramita parcialmente sob sigilo e envolve decisões do Supremo Tribunal Federal devido à presença de investigados com foro por prerrogativa de função.
Repercussão
O avanço das investigações continua repercutindo nos meios político, jurídico e financeiro, principalmente por envolver um dos casos de maior impacto recente no sistema financeiro brasileiro. Especialistas avaliam que as medidas cautelares determinadas pelo STF buscam garantir a preservação das provas e o regular andamento das investigações, sem representar julgamento definitivo sobre a responsabilidade dos investigados.
Reflexos para Alagoas
Embora a investigação esteja concentrada em Brasília e em outros estados, o caso é acompanhado em todo o país por envolver o sistema financeiro nacional e a atuação de órgãos como a Polícia Federal, o Banco Central, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal. Em Alagoas, especialistas observam que investigações desse porte reforçam a importância da fiscalização sobre instituições financeiras, da transparência nas relações entre os setores público e privado e da proteção à liberdade de imprensa.
