A Procuradoria-Geral da República (PGR) firmou um acordo de colaboração premiada com o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, que aparece nas investigações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O acordo, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (3), envolve um empresário apontado como próximo de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Freixo é dono da Entre Investimentos e Participações, empresa que teria participado da movimentação de recursos destinados ao Havengate Development Fund, estrutura sediada nos Estados Unidos.

A colaboração ainda precisa ser analisada e homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça.

Empresa teria feito repasses para fundo nos EUA

As investigações apontam que a empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior teria funcionado como uma espécie de braço operacional para movimentações financeiras relacionadas a Vorcaro.

Parte dos recursos teria sido direcionada ao Havengate Development Fund, fundo que aparece nas apurações sobre o financiamento de “Dark Horse”. A estrutura financeira é administrada por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Segundo levantamentos divulgados anteriormente, o fundo recebeu aproximadamente US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões na cotação considerada nas reportagens — provenientes de empresas relacionadas a Daniel Vorcaro.

O dinheiro teria sido utilizado no financiamento da produção cinematográfica.

Investigação também mira Banco Master

Antônio Carlos Freixo Júnior foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master.

A proximidade empresarial entre Freixo e Daniel Vorcaro colocou o empresário no centro das apurações que passaram a envolver, além das operações financeiras do banco, a origem e o destino dos recursos empregados na produção de “Dark Horse”.

A delação é considerada relevante porque pode trazer informações sobre a movimentação do dinheiro, os participantes das operações e a eventual destinação dos valores transferidos para o fundo nos Estados Unidos.

Filme entrou no radar das investigações

O longa-metragem “Dark Horse” tornou-se alvo de atenção das autoridades depois que vieram a público informações sobre negociações para seu financiamento.

Em maio, áudios divulgados pelo Intercept Brasil mostraram o senador Flávio Bolsonaro conversando com Daniel Vorcaro sobre a obtenção de recursos para o projeto. O parlamentar posteriormente reconheceu as tratativas e afirmou que se tratava de uma operação privada e legal.

Em entrevista à CNN Brasil, Flávio declarou estar disposto a tornar públicos os contratos relacionados ao filme, mas explicou que a operação estaria vinculada a um fundo privado sediado nos Estados Unidos e submetido a regras próprias de compliance.

Documentos e reportagens posteriores apontaram que o Havengate Development Fund recebeu os recursos que acabaram relacionados à produção.

Produtora afirma que não houve dinheiro público

A Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme, apresentou uma perícia segundo a qual aproximadamente R$ 75 milhões foram gastos na realização da obra.

De acordo com o documento apresentado pela empresa, os recursos utilizados na produção teriam origem exclusivamente privada, sem utilização de dinheiro público.

O caso, porém, continua sendo analisado pelas autoridades. A Polícia Federal investiga as movimentações financeiras e busca esclarecer a origem, o caminho e a destinação dos recursos relacionados ao projeto.

A nova colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior pode acrescentar informações às investigações e ajudar a esclarecer o papel de diferentes empresários e estruturas financeiras envolvidas no episódio.

Até o momento, as informações divulgadas sobre a delação não permitem afirmar quais declarações específicas foram feitas pelo empresário, já que o conteúdo da colaboração permanece sob sigilo.