O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, voltou a questionar o resultado das eleições presidenciais de 2026 e afirmou que teme uma possível “guerra civil” no país caso o presidente eleito, Abelardo de la Espriella, assuma o poder.

A declaração foi feita nesta segunda-feira (3), durante uma coletiva de imprensa em Bogotá, dias antes da posse do novo governo. Petro, que está encerrando o mandato, voltou a sustentar que houve manipulação no processo eleitoral que terminou com a vitória do candidato de direita.

Segundo o presidente, dados da votação teriam sido alterados digitalmente depois de serem enviados à Registraduría Nacional, órgão responsável pelo processo eleitoral colombiano. Petro também questionou a ausência de determinados metadados nas atas públicas de votação e afirmou que fatores externos teriam influenciado o resultado.

As acusações, entretanto, não são reconhecidas pelas autoridades eleitorais colombianas. A eleição foi oficialmente certificada, e observadores internacionais avaliaram positivamente aspectos do processo. A missão de observação eleitoral da União Europeia, por exemplo, registrou uma avaliação positiva do software utilizado para o gerenciamento dos resultados.

Petro contesta vitória de De la Espriella

Abelardo de la Espriella venceu a eleição presidencial e está programado para assumir a Presidência da Colômbia em 7 de agosto. O resultado colocou fim ao governo de Petro e representa uma mudança significativa no cenário político do país.

Petro, porém, não reconhece a vitória do adversário. Desde a primeira rodada da eleição, o presidente vem levantando suspeitas sobre possíveis irregularidades e afirma que seu aliado político, Iván Cepeda, teria sido prejudicado durante a apuração.

Em julho, Petro chegou a afirmar que possuía provas reunidas por milhares de pessoas que teriam analisado dados e algoritmos relacionados ao processo eleitoral. O presidente disse que o material havia sido encaminhado à Justiça colombiana.

Órgãos eleitorais contestam acusações

As alegações de fraude vêm sendo contestadas por instituições responsáveis pelo processo eleitoral.

Após a primeira rodada, a Registraduría afirmou que as reclamações apresentadas representavam uma parcela muito pequena das mesas instaladas e defendeu a regularidade da votação. O órgão também rebateu questionamentos relacionados ao sistema de contagem.

A missão de observação da União Europeia também apontou que a narrativa de fraude esteve presente durante a campanha e contribuiu para aumentar a polarização política.

Transição marcada por tensão

A relação entre Petro e o presidente eleito permanece marcada pelo confronto político. De la Espriella chegou a suspender o processo de transição com o governo atual, aumentando a tensão entre as duas administrações.

O presidente eleito também já havia afirmado que não pretendia legitimar determinadas ações do governo que está deixando o poder.

Petro, por sua vez, confirmou anteriormente que não pretende participar da cerimônia de posse de De la Espriella. A mudança de governo, portanto, ocorrerá sem a tradicional passagem simbólica de faixa entre o presidente que deixa o cargo e o sucessor eleito.

Posse acontece nesta semana

A posse de Abelardo de la Espriella está marcada para esta sexta-feira (7). O novo presidente assumirá o comando da Colômbia em um ambiente de forte polarização política e com a oposição de setores ligados ao atual governo.

Petro deverá deixar a Presidência, mas já sinalizou que pretende continuar atuando politicamente após o fim do mandato. As acusações de fraude e os alertas sobre possíveis conflitos acrescentam tensão à transição de poder no país.

Até o momento, não há comprovação independente de que o resultado eleitoral tenha sido fraudado. A denúncia permanece sendo uma acusação feita por Gustavo Petro, enquanto as autoridades eleitorais e observadores internacionais sustentam a legitimidade do processo.