A dívida pública brasileira atingiu em abril o maior patamar em quase cinco anos.
O endividamento subiu mais uma vez. Ficou em 80,4% em relação ao PIB, o equivalente a mais de R$ 10 trilhões. Em três anos e meio, a dívida pública avançou nove pontos percentuais e chegou ao maior nível desde junho de 2021 - quando estava em 80,6% do PIB.
O tamanho da dívida pública é um dos principais indicadores da saúde econômica e fiscal de um país. Quando as despesas ficam acima das receitas, o governo precisa se endividar para pagar as contas. E quanto maior a dívida, maior o gasto com juros. O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola afirmou que o nível do endividamento do governo tem impacto direto no crescimento da economia:
“A taxa de juros no Brasil é alta, entre outras coisas, por causa do elevado endividamento do setor público. Em segundo lugar, é que esse endividamento acaba impedindo o governo de realizar outros investimentos, realizar investimentos, o que prejudica o crescimento do país pela falta de infraestrutura, pela falta de segurança pública, por exemplo”.
Em abril, as contas públicas fecharam com superávit de R$ 24 bilhões. O resultado considera o desempenho do governo federal, de empresas estatais, estados e municípios. Mas se entrar o pagamento de juros da dívida nessa conta, o resultado foi um rombo de R$ 60 bilhões. No caso das empresas estatais federais, houve um prejuízo de R$ 1,5 bilhão em abril, e de quase R$ 6 bilhões no acumulado do ano – o pior resultado para o período desde 2002.
O professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco Écio Costa defendeu que conter a sequência de déficits do governo exige um controle efetivo dos gastos. Segundo o especialista, o arcabouço fiscal - regra em vigor desde 2024 - não foi suficiente para frear o aumento da dívida:
“Falta um compromisso com as próprias contas do governo. Você não vê, desde a criação do arcabouço fiscal, um compromisso para que haja uma estabilização da dívida ou até mesmo uma redução dela. A solução para isso seria o governo realmente adotar medidas que viessem a controlar o gasto para que ele ficasse dentro de um horizonte onde você tivesse um superávit primário acumulado no ano e, assim, a trajetória da dívida iria se estabilizar, podendo até cair num horizonte futuro à medida que os juros caíssem”.
