O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a conversão da prisão preventiva do pastor e empresário Márcio Poncio em prisão domiciliar. A decisão foi tomada após análise de fatores relacionados ao estado de saúde do investigado e à situação familiar, impondo uma série de medidas cautelares que deverão ser cumpridas durante o período em que permanecer fora do sistema prisional.

Pastor Márcio Poncio
Pastor Márcio Poncio

Márcio Poncio havia sido preso pela Polícia Federal no último dia 2 de julho, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à exploração do jogo do bicho e ao comércio ilegal de cigarros, além de possíveis conexões do grupo com agentes públicos no Estado do Rio de Janeiro.

Na decisão, Moraes considerou os laudos médicos que apontam que Poncio sofre de retocolite ulcerativa grave e já foi submetido à retirada do intestino grosso e do reto, necessitando de acompanhamento médico contínuo. O magistrado também levou em conta a gravidez de alto risco da esposa do investigado.

Apesar da mudança no regime de cumprimento da prisão, o pastor continuará submetido a restrições determinadas pela Justiça. Entre elas estão o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, a proibição de manter contato com outros investigados, a entrega dos passaportes, a suspensão de eventual porte de arma de fogo e a proibição de utilizar redes sociais. O descumprimento de qualquer uma dessas medidas poderá resultar no retorno ao regime de prisão preventiva.

A Operação Unha e Carne é um desdobramento de investigações iniciadas pela Polícia Federal em 2021 e busca aprofundar suspeitas sobre um esquema de lavagem de dinheiro atribuído à nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Segundo os investigadores, também são apuradas possíveis ramificações da organização criminosa junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo estaduais.

Conhecido nacionalmente por integrar a família Poncio, Márcio Poncio é pai do cantor Saulo Poncio e da deputada estadual Sarah Poncio. Além da atuação religiosa, ele desenvolveu atividades empresariais no setor do tabaco, circunstância mencionada nas investigações conduzidas pela Polícia Federal. Até o momento, a defesa do pastor sustenta que ele é inocente das acusações e deverá apresentar seus argumentos no decorrer do processo judicial.