O pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para tentar reverter a condenação no processo que apura a tentativa de golpe de Estado enfrenta um cenário considerado desfavorável no Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores da Corte, a avaliação predominante é de que a decisão condenatória deverá ser mantida quando o caso voltar à pauta no segundo semestre.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes relacionados à tentativa de ruptura da ordem democrática após as eleições de 2022. A defesa sustenta que houve falhas processuais, questiona a competência do STF para julgar o caso e afirma que direitos constitucionais do ex-presidente foram violados durante a tramitação da ação.

Em parecer encaminhado ao Supremo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se pela rejeição do pedido de revisão criminal. O órgão argumenta que a defesa não apresentou fatos novos nem provas capazes de justificar a reabertura do julgamento, requisito normalmente exigido para esse tipo de medida.

O relator da ação, ministro Nunes Marques, deverá submeter o recurso à análise do plenário da Corte. Apesar disso, a expectativa entre integrantes do STF é de que a maioria dos ministros mantenha integralmente a condenação imposta ao ex-presidente.

Enquanto a defesa aposta na revisão da sentença, aliados de Bolsonaro também acompanham discussões no Congresso Nacional sobre mudanças na legislação penal envolvendo crimes contra o Estado Democrático de Direito. Entretanto, essas iniciativas legislativas não têm efeito automático sobre condenações já proferidas e dependem de eventual análise do próprio Judiciário.

A retomada do julgamento é aguardada para o segundo semestre, quando o Supremo deverá analisar os argumentos apresentados pela defesa e decidir se existem fundamentos jurídicos para reabrir a discussão sobre a condenação. Até lá, a sentença permanece válida e produz seus efeitos legais, salvo eventual decisão em sentido contrário da própria Corte.