A Polícia Civil de São Paulo recebeu, nesta segunda-feira (24), uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determina o compartilhamento com a Polícia Federal de dados e documentos apreendidos durante uma operação realizada em junho deste ano.
O material está relacionado ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, a corporação terá cinco dias para compartilhar os dados com a PF. A medida foi autorizada por Dino após solicitação da própria Polícia Federal, que conduz uma investigação no STF sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos que podem ter sido destinados à produção do longa.
Operação investigava contrato de R$ 108 milhões
A operação realizada pela Polícia Civil paulista, batizada de Operação Wi-Fi, ocorreu em junho e teve como um dos alvos o Instituto Conhecer Brasil.
A investigação estadual apura possíveis irregularidades em um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões firmado entre o instituto e a Prefeitura de São Paulo para a implantação e manutenção de pontos de acesso gratuito à internet em diferentes regiões da capital.
As buscas também alcançaram endereços relacionados à entidade e à produtora Go Up Entertainment. Entre os materiais recolhidos estão documentos e outros dados que agora poderão ser analisados pelos investigadores federais.
A apuração da Polícia Civil e o inquérito conduzido no STF possuem objetos diferentes. A investigação paulista está concentrada no contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo, enquanto a PF busca verificar se houve utilização irregular de recursos públicos relacionados à produção de Dark Horse.
Emendas parlamentares também são investigadas
A investigação no Supremo envolve ainda suspeitas sobre o possível uso de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora do filme.
Um dos nomes citados no caso é o do deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. O parlamentar nega que os recursos tenham sido utilizados para financiar Dark Horse e sua defesa afirma que não houve irregularidade.
Com o acesso ao material apreendido pela Polícia Civil, a Polícia Federal poderá cruzar documentos e informações obtidos na investigação paulista com os elementos já reunidos no inquérito que tramita no STF.
Filme está no centro de outras apurações
Dark Horse ganhou destaque após informações sobre o financiamento da produção envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A Polícia Federal investiga a origem e a destinação de recursos relacionados ao filme, enquanto o STF autorizou o avanço das apurações sobre possíveis repasses de emendas parlamentares para organizações ligadas à produção. Até o momento, as investigações não concluíram que recursos públicos do contrato da Prefeitura de São Paulo tenham sido utilizados para financiar o longa.
A produtora também apresentou uma perícia segundo a qual os gastos com o filme teriam alcançado cerca de R$ 75 milhões. O documento, entretanto, não apresentou recibos ou notas fiscais que comprovassem todos os desembolsos, conforme informações divulgadas pela imprensa.
As investigações continuam, e o compartilhamento dos dados entre as polícias deverá permitir que a PF avance na análise da origem e da movimentação dos recursos relacionados às entidades e à produção cinematográfica.
