A segurança das urnas eletrônicas voltou ao centro do debate eleitoral neste domingo (9), durante as atividades da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral tem ampliado a transparência do processo e colocado os equipamentos e mecanismos de fiscalização à disposição da sociedade.
Segundo o ministro, a população teve a oportunidade de acompanhar de perto diferentes etapas relacionadas ao funcionamento das urnas. A declaração ocorre a menos de dois meses das eleições gerais de 2026, quando os brasileiros irão às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados.
Nunes Marques também fez um alerta sobre a disseminação de desconfiança em relação ao sistema eletrônico. Na avaliação do presidente do TSE, questionamentos sem fundamento podem afastar eleitores do processo democrático.
O que muda para Alagoas
Em Alagoas, a discussão sobre segurança e transparência das urnas ganha importância diante da preparação para o pleito de outubro.
Dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) mostram que 2.334.724 eleitores alagoanos, o equivalente a 95,62% do eleitorado, já possuem a biometria cadastrada na Justiça Eleitoral.
A identificação biométrica é utilizada para confirmar a identidade do eleitor antes da votação e integra os mecanismos de segurança do processo eleitoral.
Além disso, o TRE-AL já trabalha na estrutura necessária para a realização das auditorias das urnas durante as eleições de 2026. O tribunal contratou, por exemplo, serviços e equipamentos destinados à instalação da Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica em Maceió.
Isso significa que os procedimentos de fiscalização defendidos pelo TSE também terão reflexos diretamente no eleitorado alagoano.
Como as urnas são fiscalizadas
A legislação eleitoral prevê diferentes mecanismos para verificar o funcionamento e a integridade do sistema eletrônico de votação.
Entre os procedimentos de auditoria estão a conferência do resumo digital da urna, a reimpressão do boletim de urna, a comparação entre o boletim impresso e os dados utilizados na totalização, a verificação de assinaturas digitais e a possibilidade de recontagem dos votos por meio do Registro Digital do Voto (RDV).
Para as eleições de 2026, o TSE também regulamentou o Teste de Integridade com Biometria, no qual eleitoras e eleitores voluntários podem participar da verificação, após a votação, mediante autorização para utilização da biometria na habilitação da urna.
As auditorias de funcionamento são públicas e podem ser acompanhadas por pessoas interessadas, conforme as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
TSE abriu equipamentos para demonstração
Durante a Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, a Justiça Eleitoral promoveu ações para aproximar a população dos mecanismos de segurança utilizados nas eleições.
A iniciativa incluiu demonstrações públicas relacionadas ao funcionamento das urnas e aos procedimentos de fiscalização. O objetivo foi mostrar que o sistema não depende apenas de uma etapa isolada, mas de uma cadeia de procedimentos de segurança e auditoria.
O TSE também destaca que o sistema eleitoral é submetido a testes públicos de segurança. Em dezembro de 2025, pesquisadores participaram de avaliações destinadas a identificar possíveis vulnerabilidades nos sistemas que serão utilizados nas eleições de 2026.
Declaração ocorre em ano de forte disputa política
A defesa pública das urnas acontece em um cenário de intensa polarização política e de crescimento da preocupação das autoridades eleitorais com a circulação de informações falsas.
Para Nunes Marques, colocar em dúvida a segurança do sistema sem apresentar evidências pode produzir um efeito direto sobre a participação popular.
A preocupação também está relacionada ao ambiente digital, onde conteúdos sobre eleições podem alcançar milhares de pessoas em pouco tempo. Por isso, a Justiça Eleitoral tem ampliado ações de comunicação e fiscalização para tentar reduzir a circulação de desinformação.
Repercussão em Alagoas
A declaração do presidente do TSE repercutiu entre autoridades e veículos de comunicação de Alagoas, especialmente porque o Estado já está em fase avançada de preparação para o pleito.
O TRE-AL vem adotando medidas para garantir a estrutura necessária à auditoria das urnas e à realização das eleições. Entre as providências estão a organização da comissão responsável pelos procedimentos de fiscalização e a preparação dos espaços que serão utilizados durante o processo eleitoral.
O alto índice de eleitores biometrizados também coloca Alagoas em uma situação de ampla utilização desse mecanismo de identificação. Com mais de 2,3 milhões de pessoas cadastradas, o Estado chega à reta final de preparação com a biometria presente na identificação da grande maioria do eleitorado.
Eleições acontecem em outubro
As eleições gerais de 2026 serão realizadas em outubro. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, quando os eleitores escolherão presidente da República, governadores, dois senadores por estado e representantes para a Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.
Em Alagoas, além da disputa pelo Governo do Estado, os eleitores escolherão dois senadores, deputados federais e deputados estaduais.
Com a aproximação do pleito, a Justiça Eleitoral deve intensificar as ações de esclarecimento sobre o funcionamento das urnas e os mecanismos de auditoria.
A orientação para o eleitor é buscar informações em canais oficiais e desconfiar de conteúdos que apresentem supostas fraudes sem provas ou que incentivem a descrença no processo eleitoral sem apresentar evidências verificáveis.
