O Vulcão de Fogo, na Guatemala, entrou em uma fase considerada crítica pelas autoridades e provocou a retirada de mais de 1,6 mil moradores de comunidades próximas. A atividade aumentou desde segunda-feira (3), com emissão de lava, cinzas e fluxos piroclásticos pelas áreas ao redor do vulcão.

Segundo as autoridades guatemaltecas, pelo menos 1.699 pessoas já foram retiradas das regiões consideradas de risco. O vulcão fica a aproximadamente 50 quilômetros a sudoeste da Cidade da Guatemala e é um dos mais ativos da América Central.

A situação levou comunidades próximas a adotarem medidas de emergência e colocou algumas regiões em alerta vermelho, o nível máximo de advertência.

Cinzas atingem dezenas de quilômetros

A atividade do Vulcão de Fogo provocou uma grande dispersão de cinzas. De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, o material chegou a se deslocar por até 120 quilômetros, alcançando altitude superior a 5 mil metros.

A queda de cinzas já afetou mais de 29 mil pessoas. A situação também provocou preocupação com o tráfego aéreo, já que as partículas atingiram áreas do espaço aéreo a oeste e sudoeste do vulcão, em direção à fronteira com o México.

Apesar do alerta, o principal aeroporto internacional da Guatemala continuava funcionando.

Autoridades pedem evacuação

A Secretaria Executiva da CONRED, órgão responsável pela coordenação de emergências no país, orientou moradores das comunidades próximas a deixarem as áreas de risco sempre que as condições indicarem perigo ou quando houver recomendação das autoridades.

O órgão reforçou a necessidade de autoevacuação, com deslocamento para locais seguros sem esperar que a situação se agrave. A orientação é seguir as rotas previamente estabelecidas e acompanhar os comunicados oficiais sobre a evolução da atividade vulcânica.

As autoridades também estão realizando ações para convencer moradores que ainda permanecem nas áreas de risco a deixar suas casas. Em algumas localidades, a resistência está relacionada ao temor de saques durante a ausência das famílias.

Aulas são suspensas e acessos são bloqueados

A situação também provocou mudanças na rotina de comunidades próximas ao vulcão. Aulas foram suspensas em alguns municípios e o acesso turístico aos vulcões de Acatenango e Fuego foi restringido por tempo indeterminado.

A Rodovia Nacional 14, uma das principais vias de acesso à cidade de Alotenango, também foi interditada preventivamente.

Até o momento, as autoridades informaram que não foram registrados danos a residências nem fluxos de lava atingindo áreas habitadas, embora os fluxos piroclásticos estejam descendo pelas ravinas próximas ao vulcão.

Monitoramento continua

A atividade do Vulcão de Fogo permanece sob acompanhamento permanente. A CONRED orientou as famílias a manterem planos de emergência atualizados, identificarem rotas de evacuação e pontos seguros e acompanharem os comunicados oficiais do órgão e do Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia (INSIVUMEH).

As autoridades também mantêm atenção especial devido ao histórico do vulcão. Em 2018, uma grande erupção provocou centenas de mortes e desaparecimentos na Guatemala.

O monitoramento da atividade deve continuar nos próximos dias, enquanto equipes de emergência acompanham a evolução do cenário e avaliam a necessidade de novas evacuações.