Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal identificou um grupo que discutia a realização de ataques contra prédios públicos em Brasília e ações violentas durante o período eleitoral de 2026. Entre os alvos mencionados pelos investigados estavam o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

As informações vieram a público após a reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (9). Segundo a investigação, os integrantes também discutiam a possibilidade de realizar um atentado durante um debate presidencial do segundo turno das eleições.

A apuração teve como ponto de partida informações analisadas pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. As conversas eram mantidas principalmente em grupos do Telegram e passaram a ser monitoradas pelas autoridades a partir de junho.

Planta do Planalto e mapas de prédios públicos

De acordo com os investigadores, os participantes compartilhavam mapas e informações sobre prédios localizados na região central de Brasília. O Palácio do Planalto teria sido definido como um dos principais alvos.

A investigação identificou ainda o compartilhamento de uma planta baixa do edifício, utilizada nas conversas para discutir possíveis estratégias relacionadas ao local.

Além do Planalto, materiais encontrados nas conversas faziam referência ao Congresso Nacional, ao STF e a outros edifícios da Esplanada dos Ministérios.

Os investigadores também encontraram conteúdos relacionados à fabricação de artefatos explosivos e coquetéis Molotov, além de discussões sobre logística, seleção de alvos e organização de possíveis ações violentas.

Debate presidencial estava entre os possíveis alvos

Um dos pontos considerados mais graves na investigação foi a discussão sobre um ataque durante um debate eleitoral do segundo turno.

Segundo o relatório analisado pelas autoridades, o grupo pretendia utilizar um eventual atentado para provocar impacto político e disseminar uma mensagem de caráter violento e antidemocrático.

A investigação aponta que os integrantes chegaram a discutir diferentes possibilidades de alvos e ações, além de formas de recrutamento e organização.

O diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Anchieta Nery, afirmou que o conteúdo identificado não se limitava à manifestação de opiniões extremistas.

Segundo ele, havia elementos que indicavam planejamento de atos de violência, o que levou as autoridades a agir preventivamente.

Operação Rede Interrompida

A apuração resultou na Operação Rede Interrompida, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal na terça-feira (4).

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em cinco estados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. A ação contou com apoio das polícias civis dessas unidades da Federação.

Os investigados são homens com idades entre 19 e 31 anos. Celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos foram apreendidos e passaram a ser submetidos a perícia.

A análise do material digital deve ajudar os investigadores a identificar outros possíveis participantes e verificar até que ponto os planos discutidos nas redes sociais chegaram a avançar.

Investigação começou após alerta de inteligência

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a investigação começou depois de um alerta encaminhado à área de inteligência do Ministério da Justiça. O Ciberlab passou a analisar as comunicações mantidas pelos grupos.

Os investigadores identificaram dois ambientes distintos: um espaço maior, utilizado para disseminação de conteúdos extremistas, e outro mais restrito, no qual participantes discutiam ações de forma mais operacional.

As autoridades também apontaram a presença de conteúdos associados à ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.

Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a atuação policial foi necessária diante da natureza do material encontrado.

“Não eram práticas inocentes”, afirmou o ministro, ao destacar que as conversas apontavam para a preparação de ações consideradas graves.

Polícia agiu antes que ataques fossem executados

Até o momento, as autoridades não informaram que algum dos ataques planejados tenha chegado à fase de execução. A operação ocorreu justamente com o objetivo de interromper a articulação antes que os planos pudessem ser colocados em prática.

A investigação continua e os equipamentos apreendidos devem fornecer novas informações sobre a estrutura do grupo, eventuais financiadores, participantes e possíveis conexões com outras redes extremistas.

O caso ocorre a poucos meses das eleições de 2026 e coloca novamente Brasília no centro das preocupações das forças de segurança em relação à proteção dos prédios dos Três Poderes e à realização dos eventos eleitorais.