A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, trabalha para reabrir as negociações de um possível acordo de colaboração premiada após as tentativas anteriores não avançarem. Pessoas próximas ao empresário avaliam que uma nova rodada de conversas com a Polícia Federal pode ser iniciada nos próximos dias.

O movimento ocorre depois de propostas apresentadas anteriormente terem sido rejeitadas. A estratégia atual é revisar os pontos que não convenceram os investigadores e identificar quais informações e elementos de prova poderiam ser acrescentados a uma eventual nova proposta.

Em paralelo, os advogados de Vorcaro passaram a trabalhar em uma segunda frente: levantar possíveis questionamentos jurídicos relacionados ao processo caso uma nova tentativa de delação também não prospere.

Defesa avalia caminhos para contestar investigação

Entre os pontos analisados está a manutenção da prisão preventiva de Vorcaro e a competência do Supremo Tribunal Federal para concentrar todas as apurações relacionadas ao caso.

A defesa também avalia se determinadas investigações deveriam permanecer no STF, considerando que parte dos fatos apurados não necessariamente envolve pessoas com prerrogativa de foro.

O caso é relatado pelo ministro André Mendonça, que determinou em junho a transferência de Vorcaro para a Papudinha, em Brasília. O ex-banqueiro está preso no contexto das investigações que apuram suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master.

Terceira tentativa ganhou força

As movimentações mais recentes indicam que uma eventual terceira proposta precisaria apresentar mais informações e provas do que as anteriores. Reportagens publicadas nas últimas semanas apontam que a defesa passou por mudanças e incorporou novos advogados justamente no contexto da tentativa de retomada das negociações.

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República já rejeitaram propostas anteriores. Segundo informações divulgadas em junho, a PF havia recusado duas ofertas de colaboração, enquanto a PGR também rejeitou a segunda proposta apresentada por Vorcaro.

A avaliação de investigadores, conforme reportagens sobre o caso, é de que as propostas anteriores não apresentavam elementos novos suficientes para justificar um acordo.

Caso Master

As investigações contra Vorcaro estão inseridas na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades e fraudes envolvendo o Banco Master.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025. A partir daí, as investigações avançaram e passaram a envolver diferentes operações financeiras, empresas e pessoas ligadas ao antigo comando do banco.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Em março de 2026, voltou a ser preso durante uma nova fase das investigações. O STF posteriormente passou a concentrar a análise do caso sob relatoria de André Mendonça.

Agora, a defesa trabalha com duas possibilidades: tentar novamente construir um acordo de colaboração que seja aceito pelos investigadores ou concentrar esforços em medidas judiciais capazes de questionar aspectos da investigação e da prisão.

Por enquanto, não há confirmação de que uma nova proposta de delação tenha sido formalmente apresentada ou aceita pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.